Quem diz que a brincar não se aprende? No Centro Escolar de Sangalhos as crianças que frequentam, o Jardim de Infância e da Escola Básica têm aprendido (e muito) sobre as bicicletas, a sua ligação à freguesia e até sobre algumas profissões que, no passado, elegeram as duas rodas como meio de transporte dos seus profissionais.
Na véspera do desfile de carnaval, que juntou na tarde da última sexta-feira, crianças do Centro Escolar e utentes da Misericórdia de Sangalhos, estivemos no Centro Escolar onde Amílcar Costa, coordenador daquele estabelecimento de ensino, falou do sucesso do projeto que envolveu a comunidade educativa local. Em exposição, durante uma semana (que deveria ser alargada, dada a originalidade e beleza dos trabalhos elaborados), estiveram 33 bicicletas decoradas por alunos e pelos seus familiares.
Serviu de mote ao projeto “O uso da bicicleta, em Sangalhos, ao longo dos tempos”.  E porque o uso da bicicleta está, nos dias que correm, cada vez mais na moda, a partir daqui foi só dar asas à imaginação. O resultado esteve patente no átrio do Centro Escolar: 33 bicicletas decoradas com muita originalidade, a maioria retratando profissões que em tempos idos usavam este meio de transporte.
Integrando o Plano Anual de Atividades do Centro Escolar, esta iniciativa procurou dar a conhecer às crianças a importância que a bicicleta teve e ainda tem na freguesia.
Amílcar Costa revela que “boa parte da história da freguesia está intimamente ligada à indústria das duas rodas”, recordando a importância que teve na economia local as muitas dezenas de fábricas e armazéns que aqui existiram e que tiveram como tempos áureos as décadas de 40 a 70. Décadas em que o ciclismo era uma modalidade de grande peso projetando o clube da terra (que tinha pista) no panorama desportivo nacional e internacional, graças a ciclistas como Alves Barbosa, Antonino Baptista, Venceslau Fernandes, Joaquim Andrade, Herculano Oliveira e Celestino Oliveira.
O docente destaca ainda que muitas crianças ficaram a saber que a sede da Associação de Ciclismo de Aveiro (ACA) está instalada precisamente nesta freguesia; que o Centro Escolar se localiza junto ao Velódromo Nacional (único no país), não deixando de reconhecer que a intenção de construir uma ciclovia que ligue a Curia ao Velódromo, a Pista de BMX, a criação do Museu das Duas Rodas (a inaugurar no verão, no Velódromo), o aparecimento das b-AND – bicicletas públicas de Anadia e a entrada em funcionamento do projeto “O Ciclismo vai às Escolas” através de uma parceria entre a Câmara Municipal de Anadia e o Clube de Ciclismo da Bairrada, foram alguns dos assuntos e temas dados a conhecer aos alunos.
Depois de sabida a lição, em casa, com ajuda dos pais, os pequenos deram largas à imaginação. A originalidade e empenho na decoração das bicicletas superou as melhores expectativas. Usando materiais recicláveis, recriaram profissões que na freguesia (padeiro, amolador de tesouras, polícia, vendedor de jornais, carteiro, florista) elegeram a bicicleta como meio de transporte, numa época em que o era também para a maioria das pessoas da terra.
“Os trabalhos estão excelentes e têm recebido rasgados elogios. Todos eles mostram a envolvência da comunidade educativa no projeto”, diz o docente.

Catarina Cerca
catarina.i.cerca@jb.pt