O grupo “InCantus” Tocares e Cantares de Avelãs de Cima está a completar um ano de vida e o balanço não poderia ser mais positivo, tanto ao nível da recetividade, apoio e carinho recebidos por parte da população da freguesia, como do próprio concelho de Anadia, mas também pelo resultada da produção musical realizada.

A força das poetisas e do poeta da terra. O grupo “InCantus” tem a particularidade de aliar os poemas escritos exclusivamente pelas poetisas e poeta da freguesia, com livros editados – Vanda Paz (a viver agora em Lisboa), Armando Pereira, ex-autarca local e Belarmina Martins (já falecida) – aos arranjos musicais, todos originais, produzidos para o grupo pelo seu diretor musical, Fernando Guerreiro.
“Temos já nove originais e o décimo está a caminho”, avança aquele responsável, dando conta de que, em meia dúzia de meses, o “InCantus” tem reportório musical para uma hora de espetáculo. Mas são, sem dúvida, os poemas das poetisas e do poeta da terra musicados pelo grupo que fazem toda a diferença: “cada letra tem, de alguma forma, uma música contida, uma atmosfera própria e nós, ao descobrirmos a essência dessa atmosfera, transformamo-la em música”, diz Fernando Guerreiro, sublinhando que essa música acaba por ir em várias direções, “já que não há limites neste projeto”.
Também Eugénia Veiga, uma das principais dinamizadoras e mentora do grupo, recorda a forma emocionada como o poeta Armando Pereira recebeu em sua casa o grupo, que lhe mostrou o trabalho final feito com um dos seus poemas. Sentimento semelhante teve a família da poetisa Belarmina Martins que, ainda em vida, confidenciou a Fernando Guerreiro o sonho de ver os seus poemas musicados: “conhecia e ela dizia que gostaria de ver um poema seu musicado por mim, até porque me revelou que fazia os seus poemas a cantar. E, realmente, faz sentido, pois musicar os seus poemas é muito fácil, pois têm muito ritmo e as músicas são muito mais fluídas”, evidencia o diretor musical e músico Fernando Guerreiro.

Freguesia unida pela música. Com quase um ano de vida (metade do qual em ensaios e na formação do grupo), “InCantus” já levou a cabo meia dúzia de atuações, todas com grande sucesso. A estreia deu-se precisamente em junho de 2015 na Feira da Vinha e do Vinho, em Anadia e a recetividade, de lá para cá, não poderia ser melhor.
“Houve uma adesão fenomenal. O grupo tem uma identidade própria e tudo isto é uma agradável surpresa”, diz Fernando Guerreiro sobre a forma como o grupo se foi constituindo, enquanto que Eugénia Veiga sublinha a força dos laços que se estabelecem, que estão também a unir a freguesia pela música, aproximando as pessoas.
“Havia, na freguesia, uma lacuna, pois não tinha nada para oferecer em termos culturais”, afiança Eugénia Veiga, revelando que o grupo surge na sequência de um projeto iniciado com os workshops musicais e “mini escola” de música da Associação Cultural e Recreativa da Cêrca-S.Pedro, promotora do grupo. “InCantus” é, assim, fruto do crescimento desse projeto na área musical, graças a um leque de pessoas da terra que se juntaram. Da união dessas sinergias e conhecimentos nasceu o grupo, neste momento uma “família” que a música uniu.

Reações surpreendentes. Surpresa, admiração, contentamento são algumas das reações que recebem do público agradado, sobretudo, com a natureza do projeto que envolve cerca de 29 elementos (dos 12 aos 70 anos), quase todos provenientes de lugares da freguesia e que ensaiam todas as sextas-feiras nas instalações que possuem na Escola Primária de Avelãs de Cima, já desativada.
O sucesso, diz Eugénia Veiga, deve-se ao bairrismo de todos mas porque os diretores musicais, Fernando Guerreiro e Susana Calado, têm criado uma grande dinâmica, motivando todos os elementos.
Dois grandes aliados do projeto foram a Câmara Municipal de Anadia, que atribuiu uma verba para a compra de material de palco, através da plataforma Sentir Anadia, em 2015, e a Junta de Freguesia de Avelãs de Cima, que cedeu o espaço onde ensaiam.
Mas para fazer face às necessidade e ao dia a dia do grupo, todos arregaçaram as mangas e lançaram-se nas noites frias de janeiro a cantar as janeiras, porta a porta, uma iniciativa que possibilitou a angariação de um montante significativo, que “mostra a extrema generosidade das gentes da freguesia”. Este ano foram contempladas o Pereiro, Cerca – S.Pedro, Candieira, Figueira, Boialvo e Póvoa do Gago. Fica a promessa de que os restantes lugares da freguesia poderão ser visitados no próximo cantar das janeiras, em 2017.
“A excelente recetividade, a forma como fomos acolhidos nas casas das pessoas e a verba angariada ultrapassaram muito as nossas expectativas o que é muito motivador para continuarmos”, garante Eugénia Veiga.

Vem aí um CD de originais. Para este ano fica a promessa da gravação de um CD com 12 originais, mas sendo um projeto de cariz solidário, o grupo está disponível para intercâmbios e participar em eventos vários. Desde já, destaca-se a sua presença a 2 de abril, no centenário do Ferreirense, em Ferreiros; a 9 de abril na Festa da Primavera da AMI, em Anadia; nos dias 4 e 5 de maio (feriado municipal) na Feira Medieval de Anadia; a 8 de maio na Feira das Barraquinhas de Avelãs de Cima, terminando o mês (dia 29 de maio) com a celebração do 1.º aniversário do grupo “InCantus”. Em perspetiva está a atuação do grupo em várias festas de lugares vizinhos, já que tem havido contactos com comissões de festas, nesse sentido.
Catarina Cerca