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O vereador da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro António Mota (PSD) defendeu, na última quinta-feira, durante a reunião de Câmara, que deve ser criada – com caráter de urgência – uma Comissão que possa conduzir a entrada do IPSB na rede pública de escolas.
“Podemos concluir que a redução de turmas é um facto consumado. Isto mesmo foi dito pelos dirigentes políticos no congresso do Bloco de Esquerda, pelo que não podemos ficar na encolha. Temos que encetar de imediato uma solução para o IPSB”, afirmou o autarca.
Recorde-se que António Mota, desde o dia 24 de julho, está sem pelouros e deixou de estar a tempo inteiro na autarquia, após Mário João Oliveira ter revogado o despacho de delegação de pelouros. A retirada dos mesmos aconteceu, na sequência de um plenário de militantes do PSD ter retirado a confiança política ao presidente da Câmara.

Solução. António Mota, que até aqui se tem mantido em silêncio, reforçou que “é necessário encontrar de uma forma muito rápida uma solução que possa evitar, com alguns custos para todos, este desastre que é o fecho do IPSB e deixar umas instalações daquelas ao abandono”.
António Mota explicou que, “em conjunto com todas as entidades e considerando que a ideologia política do governo se mantém igual, elaboraremos estudos com o objetivo de transformar aquele estabelecimento de ensino na rede pública de Oliveira do Bairro.” “É importante ponderar com as autarquias e possível mecenas o arrendamento das instalações que depois seriam colocadas à disposição do Ministério da Educação, perspetivando, desta forma, a continuidade da escola pública que serve as freguesias limítrofes”.
António Mota defendeu ainda que “em política tudo se pode alterar e decerto que a geringonça [referindo-se ao governo] não está para sempre”. “Todos nós reconhecemos o prejuízo desta situação, por que não propor uma visão de continuidade. Se tudo se comparticipa, se tudo se faz, por que numa situação destas não aliviamos a corda ao pescoço do IPSB?”.
A vereadora centrista Lília Ana Águas disse estar satisfeita pela “predisposição em resolver este assunto”, acrescentando que “a política muda todos os dias e estou satisfeita em ouvir o António Mota a falar de alternativas”.
Já o seu colega de bancada, Jorge Pato, disse comungar da intervenção de Lília Ana Águas, sublinhando que “estamos com dois meses de atraso”, ou seja, “andamos atrás do tempo”.

Reuniões semanais. O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, Mário João Oliveira, disse não ter nenhuma procuração do presidente do Conselho de Administração do IPSB, “nem deverei dar notas de conversas que tenho com o presidente do Conselho de Administração, mas tenho conhecimento que a administração do IPSB está a trabalhar em várias equações”, acrescentando que vai reunir, semanalmente, com a administração do IPSB.

Mário João e Padre Carvalheiro reúnem com Secretária de Estado da Educação
O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, Mário João Oliveira, e o presidente do Conselho de Administração do IPSB, reuniram, na penúltima terça-feira, com a secretária de Estado da Educação.
Durante a reunião de câmara, o presidente explicou que levou um dossiê completo onde expôs os factos e as razões que exigem uma decisão diferenciada para o IPSB [mérito e histórico de sucesso e de responsabilidade social, rede escolar concelhia, transportes escolares, indicadores sociais, demográficos e económicos] demonstrando que a decisão governamental assenta em pressupostos errados e que, a concretizar-se, produzirá efeitos nefastos (e incertos), não só em termos de insustentabilidade do IPSB, mas também a nível económico e social.
Em complemento e segundo comunicado conjunto enviado entretanto à nossa redação, é dito que o Presidente do Conselho de Administração do IPSB, Padre Manuel Carvalheiro, reafirmou a identidade do IPSB, as provas dadas, a necessidade da sua existência, a estrutura socioeconómica dos seus alunos, os constrangimentos financeiros que se anunciam para o IPSB, os erros do estudo, a fragilidade das instalações alternativas, etc..
O Presidente da Câmara entregou também à secretária de Estado um dossiê com um resumo das diligências efetuadas, uma exposição descrevendo os fatores que levam o Município a apelar à continuidade do previsto no contrato de associação existente, as exposições feitas pelo IPSB, as moções aprovadas pelos órgãos autárquicos, ortofotomapas do concelho, com localização do IPSB e distâncias (referindo que a Escola Acácio Azevedo dista a 9,8 km do IPSB e a Secundária a 10,8 km), e ainda um abaixo-assinado promovido pelo Movimento Cívico “IPSB – o projeto de uma comunidade”. Mário João deu conta ainda que foi referida a questão do excelente trabalho e da representação nacional em ginástica e do voleibol.
O autarca convidou a Secretária de Estado a visitar o concelho e o IPSB de forma a inteirar-se da realidade em matéria de Educação e pela Secretária de Estado foi dada a garantia de que iria revisitar e reanalisar o caso concreto do IPSB e que posteriormente comunicaria a sua decisão, atento tudo o que ali fora exposto.
“No fim conversei com o padre Manuel, e, sem criar falsas expetativas, concluímos que fomos ouvidos com a garantia que o assunto seria reavaliado”, pelo que “continuaremos a trabalhar em conjunto com o IPSB e com a sua administração. Em perfeita sintonia, com total complementaridade em defesa da do IPSB”, concluiu Mário João, na reunião de câmara.