Já lá vão três semanas mas o violento incêndio que, durante vários dias, não deu descanso aos bombeiros e às populações da nossa região, em particular de Águeda, Anadia e Mealhada, continua bem vivo na memória de todos. Apesar de os números não serem ainda exatos, terão ardido, entre Anadia e Mealhada, 5 a 6 mil hectares (mais de metade em Anadia) e, pese embora as muitas ameaças e casas em risco, arderam “apenas” duas habitações (uma em VN Monsarros, outra em Vale da Mó, esta uma segunda habitação). Pior mesmo foram os sete bombeiros da corporação de Anadia feridos, um deles em estado grave. Trata-se de Liliana Bastos, de 32 anos, que, no mesmo dia (25 de agosto) em que recebeu, no hospital, a visita do Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, teve alta, após uma cirurgia ao joelho, que a obrigará a uma recuperação de cerca de um ano.

Meios insuficientes para chegar a todo o lado. “Foram dias muito difíceis”, afiança a presidente da Câmara Municipal de Anadia, Teresa Cardoso, cuja casa também chegou a estar em risco. “Quando vemos o fogo a chegar a nossas casas é uma angústia muito grande. Eu assisti a isso, vi a aflição das pessoas e até a minha casa esteve em risco e eu nem sequer estava lá…”. A autarca recorda a dificuldade para controlar os focos de incêndio, face também às condições meteorológicas adversas. “Quando parecia que a situação estava a ficar controlada, tudo se alterava, o vento começava a soprar noutra direção e a aflição recomeçava, colocando várias populações em risco – Parada, Vila Nova de Monsarros, Monsarros, Vale da Mó, Ferreiros, até Póvoa do Pereiro, próximo da minha casa…”.
Teresa Cardoso assegura que “não havia meios para chegar a todo o lado”. “Eram tantas as frentes!” Por isso, ressalva o apoio de todas as entidades, dos bombeiros – “que vimos a ficarem exaustos, dia após dia” – e também dos populares. “Todas as entidades envolvidas deram o seu melhor, há muito que não se via tamanha união e solidariedade no concelho.”
Mesmo por parte da administração central, a autarca afirma que recebeu todo o apoio. “O Sr. Presidente da República contactou-me de imediato para fazer o ponto de situação, e a ministra da Administração Interna e o secretário de Estado estiveram em permanente contacto comigo e, em momentos de grande aflição, eu própria os contactava”, registando ainda o apoio solidário recebido por parte do presidente da Associação Nacional de Municípios e da Liga de Bombeiros.

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