Beatriz Pais é uma jovem que demonstra características próprias da sua idade: perspicaz, vivaça, sonhadora. Mas esta jovem de 13 anos, aluna do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Bairro, é mais do que isso. Como ela própria afirma, para além de ser uma aluna do quadro de valor e excelência, apresenta uma invulgar “capacidade de argumentação”, um enorme “espírito de curiosidade, de cooperação e de solidariedade, a nível académico e pessoal”.
Como aluna e cidadã, frisa Beatriz Pais, “diariamente, tento preparar-me para fazer parte ativa da sociedade, participando em diversas atividades e concursos de diferentes áreas”. Argumentos que convenceram o júri do concurso Jovens Inspiradores, promovido pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas. Beatriz é uma das cinco finalistas da categoria 10-13 anos e saberá se é vencedora no próximo sábado, dia 8 de outubro, em Cascais, onde terá uma entrevista com o júri.

Exemplo a todos os níveis. Mas, independentemente do galardão, Beatriz Pais já é uma vencedora. Basta atentar na sua postura perante a sociedade e o mundo. Para além de ser uma excelente aluna, sendo um exemplo para os seus colegas da EB 2/3 Dr. Fernando Peixinho, em Oiã, ela participa em inúmeras atividades. No ano passado, no âmbito da Ciência, cooperou na elaboração e demonstração de atividades experimentais na “I Feira da Ciência”, no “Passe à Escola” e no “VIVA as Associações”, “para despertar nos mais novos o gosto pelo inesperado”. No Desporto Escolar, alcançou os regionais na modalidade de natação, “conseguindo vencer alguns dos meus problemas respiratórios”. Na Música, toca piano “para exprimir emoções próprias da adolescência”. Na História, reviveu o passado na “Oficina do Património e Restauração” e nas “Olimpíadas de Histórias”. Em Literatura, participou no “Concurso de Leitura em Voz Alta”, no projeto “Justiça para Todos” e no “V Concurso Literário – Duarte Lemos”. No plano solidário e religioso, “acolhi várias campanhas de recolha de alimentos e dinheiro para a comunidade local e nacional” e participou no Parlamento dos Jovens, defendendo ideias sobre Racismo, Preconceito e Discriminação.
Enquanto “aluna persistente, não abdico de sorrir e de ajudar”. E não se cansa de estudar e trabalhar em prol de um sonho: formar-se em Medicina Legal. Este percurso notável é mérito seu, no entanto, deixa alguns agradecimentos: “aos meus professores, nomeadamente à minha professora de português de 2.º ciclo, Ana Barqueiro, e ao meu professor de história, António Leandro, ao Agrupamento, e à minha mãe, que é o meu táxi e me leva para todo o lado!”

Professor sugere candidatura. Perante esta envolvência e posicionamento na vida e na sociedade, António Leandro não teve dúvidas em sugerir, em Conselho de Turma, o nome da Beatriz para o concurso. O que seria unanimemente aceite. Professor de História da Beatriz, admite que, “de todos os alunos que tenho, sendo ela uma aluna sempre muito interessada e empenhada em todas as atividades, enquadrava-se nesse perfil”.
A candidatura surpreendeu Beatriz, que, mesmo achando ter o perfil certo, “não estava à espera de ser selecionada”. O segredo, conta, é esticar ao máximo o seu dia. “O meu horário não termina às 17h10, vai até às 20h, 21h… Tento organizar o meu espaço e o meu tempo de forma a que contemple o máximo de atividades possível.”

Sonhos e projetos. Beatriz gostava de realizar eventos de âmbito social. “A sociedade precisa de mudar algumas coisas, ajudar pessoas carenciadas e animais maltratados.”
Com o seu exemplo, tem sido uma jovem inspiradora junto dos colegas e das pessoas que consigo convivem. “Já consegui que alguns participassem em atividades que dantes consideravam uma perda de tempo e desinteressantes.”
Beatriz está a terminar o 3.º ciclo e no próximo ano mudará de escola. “A EB 2/3 de Oiã não tem associação de estudantes e eu gostava de encetar esse projeto. Acho que a escola também podia ir ao Centro Social [de Oiã] realizar atividades. Outro projeto que ambiciono é aos sábados realizar trabalho comunitário, nos canis, e sensibilizar outros a fazê-lo.”
Se Beatriz é um orgulho para quem a conhece, mais o é para os seus pais. A mãe, Teresa Nabo, acredita que a filha “é um exemplo, tem atitudes que influenciam positivamente os seus colegas. Acho até que é demasiado madura para a sua idade”. Teresa Nabo só receia as suas ambições. “Com dificuldade, aceita a derrota. Faz tudo para ficar sempre em primeiro lugar.”
Mas Beatriz sabe que “já é muito bom” ter chegado a esta fase do concurso “Jovens Inspiradores”, que engloba três categorias: 10-13 anos; 14-17 e 18-23. Com a ida a Cascais, “vou passar por uma nova experiência, conhecer pessoas novas, ver diferentes maneiras de apresentar trabalho, tirar dali ideias para o meu futuro. E espero para o ano voltar a participar!”
Fala sem medos a jovem que acredita que, com o seu contributo, pode mudar um bocadinho o mundo.
Oriana Pataco
oriana.b.pataco@jb.pt