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O Cemitério Municipal de Oliveira do Bairro, no seu último talhão, não apresenta o mínimo de condições de dignidade. A denúncia é feita por muitos anónimos que têm familiares enterrados naquele cemitério e pelas próprias agências funerárias e outros intervenientes no processo de luto.
O problema não é de agora e, ao longo dos anos, tem passado pelas mãos de vários vereadores da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro que se têm “desviado literalmente” em resolver esta questão, segundo explicou ao JB uma fonte conhecedora do processo. A mesma fonte explica que, com o passar dos anos, o problema tem sido arrastado e, atualmente, está a ser utilizado o talhão que estava previsto, desde início, para serem sepultadas crianças e adultos.
A mesma fonte acrescenta que este assunto passa ao lado dos políticos, uma vez que “os mortos não dão votos”, contudo, “esquecem-se que as famílias votam”. “É lamentável que este cemitério não tenha condições de dignidade, tanto para os mortos como para os vivos”, afirma a mesma fonte.
Por outro lado, ao contrário das boas práticas instituídas pelas Juntas de Freguesia, a Câmara Municipal, ao longo da existência do cemitério, nunca se preocupou em infraestruturar as sepultadoras, fazendo com que o cemitério aparente estar num cenário de constantes obras. Acresce que o talhão agora alvo de polémica, é o último existente no cemitério e em dias de chuva não permite que os familiares possam velar os seus falecidos, uma vez que o piso fica cheio de lama, devido a problemas de quotas. Neste talhão, as sepulturas não podem ter a altura regulamentar (1.50 metros), devido à existência de um tubo de águas pluviais, o que vai obrigar a autarquia a subir a altura do terreno.

Estudo. A Câmara Municipal já veio dizer que está em elaboração um estudo para avançar com o arranjo do Cemitério Municipal de Oliveira do Bairro. “Este arranjo vai reorganizar o espaço, que será destinado a crianças e adultos. Está previsto prolongar o arruamento existente, paralelo às capelas (lado nascente), com uma subida da altimetria e drenagem de águas pluviais. Entre os talhões, passará a existir um passeio onde está a ser estudada a colocação de sarjetas para recolher devidamente as águas pluviais”, explica a autarquia oliveirense.
Relativamente às infraestruturas das sepulturas, a autarquia oliveirense explica que vai manter a mesma prática. As mesmas continuarão a ser vendidas sem as paredes internas e as famílias terão que adjudicar aqueles paredes ao coveiro ou a uma empresa de construção civil. Um processo que vai encarecer o preço final da sepultura. “O empedramento das sepulturas (paredes internas), sempre foi uma responsabilidade dos proprietários das respetivas sepulturas e não haverá alteração deste procedimento”, acrescenta a autarquia oliveirense, em nota enviada ao JB.