Diplomata, jornalista e escritor, António de Cértima é um homem da Bairrada que se transformou em cidadão do mundo. A Universidade de Aveiro (UA) é detentora de parte do seu espólio pessoal e profissional que agora se dá a conhecer ao público numa primeira exposição intitulada “António de Cértima: o perfil do homem e do escritor”. A inauguração decorreu no dia 11 de dezembro, na sala Hélène Beauvoir da Biblioteca da UA e estará patente até 15 de janeiro (de segunda a sexta, entre as 9h e as 20h; aos sábados até às 18h; a Biblioteca estará encerrada de 23 a 31 de dezembro).
Nesta exposição são apresentadas as variadas vertentes do perfil pessoal e profissional de António de Cértima, natural de Oliveira do Bairro, tendo como base o acervo doado aos Serviços de Biblioteca, Informação Documental e Museologia (SBIDM) da UA pelo escritor e jornalista Arsénio Mota. Na inauguração da exposição poderão ser conhecidos muitos dos aspetos da personalidade, atualmente pouco conhecida, de António de Cértima através de todos os materiais patentes, mas também pela intervenção de Nuno Rosmaninho, docente do Departamento de Línguas e Culturas da UA.
No acervo da UA encontra-se a vasta obra literária publicada, constituída por 30 títulos, várias obras inéditas que não chegaram à estampa e até poemas musicados. A inúmera correspondência tanto de cariz pessoal como profissional e político que está à guarda dos SBIDM são muito reveladoras da ambiência, da caraterização e do panorama politico e social da época e dos contextos em que António de Cértima viveu (1894-1983) a nível nacional, mas também internacional.

Um homem do Mundo e para o Mundo

Nascido na Giesta, Oliveira do Bairro, fez os primeiros estudos ainda em Aveiro, assim como as primeiras colaborações com jornais locais, convivendo com nomes grandes do meio como Alberto Souto, Lourenço Peixinho, Homem Christo, Mário Duarte, entre outros, passando rapidamente a sua intervenção também para o meio portuense e lisboeta.
Iniciou a carreira diplomática em 1926 como vice-cônsul no Suez, Egito, transferindo-se depois como cônsul para Dacar, no Senegal. Em 1932 transitou para o Consulado de Sevilha onde testemunhou os difíceis anos da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Grande Guerra.
O acervo que a UA detém é potenciador de abordagens e estudos tanto em termos da obra literária, como do percurso diplomático e jornalístico de António Cértima e da sua intervenção no contexto nacional da época.