A diretora do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Bairro, Júlia Gradeço, faz o balanço do ano letivo que terminou há poucos dias e perspetiva o novo ano, tendo em conta a abertura de uma extensão em Bustos, nas instalações do antigo IPSB.

Que balanço faz do ano letivo que agora termina, 2017/18, tendo em conta o encerramento do IPSB?
Foi um ano difícil, porque havia alunos e famílias que não aceitavam a mudança, pelo menos o primeiro período foi complicado, depois os alunos foram-se ambientando e os problemas foram-se minimizando.
Para nós, também foi uma adaptação, um início de ano muito difícil porque só houve certezas durante o primeiro período, ou seja, com este já em funcionamento. Principalmente nos transportes, os alunos não davam a certeza se queriam transporte, onde queriam transporte… não pudemos atempadamente dar uma previsão correta da necessidade de transportes.
Por sua vez, a formação de turmas e o pedido de professores também foi complicado porque muitos alunos vieram matricular-se já fora de prazo, já no mês de setembro. E o planeamento que se faz de um ano escolar sofreu alterações profundas, ao longo, principalmente do primeiro período.
 
Quantos alunos teve o Agrupamento em 2016/17 e quantos teve em 2017/18?
Tivemos 2118 alunos em 2016/2017 e 2666 alunos em 2017/2018.
 
Foi um ano difícil de gerir, em termos de n.º de alunos por turma, colocação de professores, transferências e transportes dos alunos?
Não seria difícil, se nós tivéssemos a previsão com números corretos. O problema foi a indefinição que houve no número de alunos, no número de turmas… depois, os encarregados de educação vinham matricular os filhos e queriam que eles fosse para um determinada turma, que já estava completa… Foi difícil por esse ponto de vista.
A Câmara de Oliveira do Bairro anunciou na semana passada a reabertura do IPSB, integrado na rede pública, ou seja, parte integrante do Agrupamento. Enquanto diretora do Agrupamento, tinha conhecimento e tomou parte desta remodelação?
Em primeiro lugar, essa questão não está correta. O IPSB não vai abrir e isto já obrigou a um esclarecimento por parte do Sr. Ministro da Educação.
Desde a primeira hora, foram ouvidas todas as partes envolvidas, tutela, Câmara Municipal e Agrupamento. Mas o Ministério da Educação (ME) não autorizou a abertura do IPSB, porque o Agrupamento tem capacidade para os alunos todos. Aliás, Oiã ainda está bastante abaixo da sua capacidade e agora, entrando em obras, vai também ela ficar uma escola moderna. O que a tutela autorizou foi que, no âmbito do contrato interadministrativo de competências, a Câmara Municipal, por opção política autárquica, alegando que estaria a gastar muito em transportes, e que fazia parte das suas promessas eleitorais ter uma resposta local para os alunos da área poente, assumiria (e não o ME) um local na zona poente para os alunos dessa zona, mas que pertencem à Escola Acácio de Azevedo e isto ficou bem claro pela tutela. Não é aberto lá um polo, os alunos pertencem à Escola Dr. Acácio de Azevedo ou à Escola Dr. Fernando Peixinho. No entanto, a Câmara alugou aquelas instalações, como poderia alugar outras quaisquer. Aquelas instalações foram uma opção, sobre isso só a Câmara pode responder. Os alunos daquela área, em vez de terem as salas de aula aqui, passarão a ter aulas lá. Os professores são os mesmos, no entanto, a tutela não se responsabiliza por despesas nenhumas de funcionamento, além dos professores. Não é, repito, de maneira nenhuma, a abertura do IPSB.
 
Mas sabia da abertura desta escola a poente…
Eu estive sempre a par e foi uma ação concertada com a autarquia, na procura de uma solução, isso sim. Mas o que moveu esta solução não foi a falta de capacidade do Agrupamento, mas sim a política deste executivo autárquico.

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