Ameaça chover neste dia de tímida primavera. Apressamo-nos fugindo a uma nuvem ameaçadora, preparando os sentidos para embarcar numa viagem de experiências equivalente às quatro estações. Para quem conheceu o emblemático restaurante no centro da cidade de Anadia que, anos a fio, acomodou o estômago de habitantes e forasteiros, deve orientar o espírito para uma verdadeira sinopsia, que começa na primavera e só termina no inverno seguinte.
Os tons neutros, em branco e beje, os castanhos e o toque de verde trazem ao novo “Quatro Estações” uma frescura e jovialidade que contrasta com o espaço que, durante 30 anos, deu a conhecer os exímios atributos da cozinheira e doceira Maria Generosa Ferreira. No alto das suas oito décadas de vida, tornou-se penoso à timoneira do Quatro Estações passar tão valioso testemunho. Só um filho da casa poderia sossegar-lhe o espírito.
Carlos Fernandes completou no Quatro Estações uma década de aprendizagens. Antes, passara pelo Caçarola 2 e pelo restaurante O Teimoso, ambos na Figueira da Foz; esteve algum tempo na Alemanha e registou uma passagem pelo Pompeu dos Frangos. Depois do Quatro Estações, envolveu-se, durante cinco anos, num projeto de enoturismo da Dão Sul, de onde saiu com o cargo de chefe executivo. Dali partiu para O Rei dos Leitões, onde lhe deu “grande prazer trabalhar”, ao longo dos últimos cinco anos, elevando a cozinha deste restaurante na Mealhada a um patamar de excelência.
 
Ler mais na edição impressa e digital