O cantor, compositor e poeta José Cid vai receber, esta quarta-feira, dia 13, o Grammy Latino de Excelência Musical (Lifetime Achievement Award) pelo seu contributo de grande importância para a música latina. O prémio será entregue numa cerimónia realizada em Las Vegas, nos Estados Unidos.
 
Ao Jornal da Bairrada disse que “é uma honra receber este Grammy e posso considerar mesmo que é a cereja no topo do bolo da minha carreira”, frisou o cantautor nascido na Chamusca, mas que há muito adotou Mogofores (Anadia) como sua terra de eleição.
 
Não é a primeira vez que José Cid é reconhecido, mas este prémio tem um sabor especial uma vez que reconhece também “o pop/rock português, sempre tão  ostracizado e impossibilitado de atravessar fronteiras”.
 
José Cid recordou outros prémios já conquistados, como o Prémio de Consagração da Carreira atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores ou, mais recentemente, o Globo de Ouro de Mérito e Excelência.
 
A Academia Latina considera que José Cid “adaptou sem esforço a influência da música popular anglo-saxónica ao estilo original do pop-rock português”. Em 1956, o surgimento da sua banda cover Os Babies marcou um momento de ‘antes e depois’ para o pop-rock em Portugal, sustenta ainda a Academia. Seguiu-se o Quarteto 1111, que “criou as bases do rock português, com uma forte tonalidade psicadélica, como denotou o enorme sucesso de 1967 ‘A Lenda De El-Rei D. Sebastião’. Continuando como artista solo, em 1978 lançou ‘10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte’, considerado uma obra prima do rock progressivo. A Academia atribui o Grammy tendo ainda em consideração que José Cid, com “dezenas de sucessos, continua a ser uma grande atração em concertos em Portugal, lançando novas músicas e álbuns ao vivo”.
 
O cantor de 77 anos admite ao Jornal da Bairrada que este está a ser “um ano excecional”, com banhos de multidão nos seus espetáculos. E promete que mais logo quando subir ao palco para receber o Grammy Latino,  vai “deixar no ar uma mensagem especial para o pop/rock português e para aquilo que fiz durante a minha carreira, em termos poéticos e musicais”. Com este prémio, “quero chamar a atenção para a riqueza da música portuguesa e para esta espécie de «Ronaldos da Música» que nunca emigraram, ficando consignados às suas fronteiras”.