A Associação dos Artistas Plásticos da Bairrada (AAPB) está a completar 25 anos de existência. Liderada pelo designer gráfico e artista plástico, Mário Moreira, a associação acaba de lançar um livro/catálogo comemorativo que reúne trabalhos de  74 artistas com técnicas e temas diversos.
Empenhada em levar a arte à população local, saindo dos museus e vindo para a rua, sem descurar o desenvolvimento dos seus artistas, esta associação quer desenvolver o projeto arrojado relacionado com a arte urbana em Anadia e que visa “dar maior visibilidade à Arte e aos seus Artistas, projetando com eles a região da Bairrada.”
 
Mário Moreira  é o atual presidente da Associação dos Artistas Plásticos da Bairrada (AAPB) que está a comemorar bodas de prata. Que balanço faz destes 25 anos de existência?
O balanço global é muito positivo: a Associação está a trabalhar para se manter ativa e em crescimento. Estamos a conquistar a confiança de cada vez mais associados, de norte a sul do país, entre Vila Real e o Alentejo. Temos também associados a residir em Espanha e Brasil, outros provenientes de Moçambique, Angola, República Democrática do Congo, Venezuela, Índia, Ucrânia e Rússia, embora residam em Portugal.
Desde que assumi funções em 2013, no primeiro de três mandatos, o número de associados duplicou. O reconhecimento dos nossos associados é a prova concreta de que vamos atingindo o nosso propósito e reformulando o caminho em função das necessidades diagnosticadas.
Quantos membros integra esta associação no presente? E em que tipo de arte?
Na nossa base de dados constam, atualmente, 194 associados, dos quais cerca de 66 a pagar quota anualmente e a participar com maior regularidade nas exposições e atividades que promovemos.
Nas exposições, os trabalhos são maioritariamente pintura a óleo, acrílico e técnica mista.
A nível escultórico, destacamos o excelente trabalho do nosso associado Francisco Reis, com escultura em madeira, embora o artista também use outras técnicas. Eu próprio gosto de realizar trabalhos tridimensionais com alguns elementos escultóricos.
Na fotografia, destaco os trabalhos do nosso associado Miguel Rolo.
O embrião da AAPB ficou a dever-se a Fernando Loureiro…
O Dr. Fernando Loureiro, membro fundador e dirigente da AAPB até à atualidade, foi um visionário… Há 25 anos, e enquanto vereador da Cultura na Câmara Municipal de Anadia, convidou 22 artistas para fazerem uma exposição conjunta – “A Bairrada vista pelos seus pintores”. Esta exposição foi a génese desta agremiação artística a que Aida Viegas deu asas, juntamente com outros associados fundadores, nomeadamente, Carlos Amaral, João Eugénio Simões, Maria Carolina Ganho, Fernando Loureiro, Maria Emília Cristiano, entre outros. Esta iniciativa colmatou um vazio na prática e divulgação das artes nas suas diversas formas de expressão.
A AAPB tem conseguido renovar-se com a entrada de novos artistas?
Tem havido muito empenho da nossa parte em divulgar os objetivos e projetos da AAPB e em promover a Arte e os seus artistas.
A edição do livro comemorativo do 25.º aniversário da AAPB também ajuda a cumprir esse objetivo. Simultaneamente, tem havido identificação de muitos artistas com o trabalho que estamos a desenvolver e têm vindo ao nosso encontro, orgulhando-se de fazerem parte da nossa associação.
A nossa participação na exposição comemorativa do 15.º aniversário do Museu do Vinho – Bairrada, também contribuiu para trazer novos elementos à AAPB. Paralelamente, as novas tecnologias permitem-nos dinamizar a nossa página WEB, atraindo novos associados e seguidores. Há, contudo, ainda muito caminho a trilhar.
Com sede na Casa Rodrigues Lapa, a AAPB tem desenvolvido diversas iniciativas e parcerias, assim como aulas de pintura. Estas iniciativas continuaram ou terminaram?
Os parceiros mais regulares têm sido as Câmaras Municipais de Anadia e Oliveira do Bairro e o Museu do Vinho. Já trabalhámos com as Câmaras Municipais de Águeda e Cantanhede, com a Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, em Águeda.
Sentimos que as nossas propostas – exposições e visitas culturais – continuam a merecer o bom acolhimento por parte das referidas entidades. Futuramente, pretendemos diversificar as parcerias. Há projetos em estudo.
A introdução de aulas de pintura iniciou-se no mandato da Arq.ª Maria Isabel Fernandes Pereira, em março de 2009, e continua até ao momento. Houve sempre a preocupação de dar continuidade ao trabalho das direções anteriores, focando especialmente o incentivo de novos talentos.
Os anadienses são sensíveis às artes plásticas?
Desde a sua génese, a Associação tem trabalhado para levar a arte à população local, sem descurar o desenvolvimento dos seus artistas.
É preciso redescobrir a sensibilidade para as Artes e sentir os benefícios que a pintura e as artes plásticas podem proporcionar. Este é um problema transversal nacional.
Cada vez mais artistas dão a conhecer a sua arte na rua e obtêm reconhecimento mundial: Vhils, Bordalo e tantos outros. Podemos observar aqui uma tendência: é necessário sair dos museus e levar a arte aos locais que as pessoas frequentam.
 E as artes plásticas têm expressão na região da Bairrada?
Há artistas oriundos da nossa Bairrada, que iniciaram atividade na AAPB e que, com o seu trabalho e dedicação, começam a adquirir algum reconhecimento, não apenas na nossa região mas, também, por todo o país. Alguns fazem parte de bienais internacionais e começam a ter representação fora de Portugal.
Que tipo de estratégias estão a ser desenvolvidas para fazer crescer e afirmar a AAPB?
Consciente da necessidade de divulgar e promover não apenas a Arte mas também o convívio saudável entre artistas, organizamos 3 a 4 visitas culturais por ano, para dar a conhecer aos nossos associados o que de melhor se mostra nas várias correntes artísticas.
Procuramos diversificar as visitas, integrando ainda a arquitetura e design e a vertente musical.
Temos feito anualmente várias exposições: expomos regularmente nos concelhos de Anadia e Oliveira do Bairro. Já expusemos na Casa da Cultura em Cantanhede e em diversos locais em Águeda.
No próximo ano estão confirmadas exposições na Galeria dos Morgados da Pedricosa, em parceria com o Círculo Experimental AveiroArte, e uma parceria no Centro de Artes de Águeda.
 
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