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Acácio Oliveira

Oliveirense

Cidades Amigas das Pessoas Idosas: Oliveira do Bairro está preparada para o futuro?

O envelhecimento da população é uma das maiores transformações sociais do século XXI. A Organização Mundial da Saúde tem vindo a desafiar municípios de todo o mundo a adotarem o conceito de “Cidades Amigas das Pessoas Idosas”, promovendo acessibilidade, mobilidade, participação social, segurança e qualidade de vida. A questão que se coloca é simples: estará Oliveira do Bairro verdadeiramente preparada para responder a este desafio?

A realidade demográfica não deixa margem para dúvidas. O concelho, à semelhança do restante país, está a envelhecer e essa tendência irá acentuar-se nas próximas décadas. Apesar disso, o envelhecimento continua muitas vezes a ser encarado como um tema exclusivamente associado à ação social, remetido para a esfera das IPSS, misericórdias e instituições de apoio. Trata-se, porém, de uma visão redutora.

O envelhecimento não é apenas uma questão social. É uma questão de planeamento urbano, mobilidade, habitação, saúde, transportes, participação cívica e desenvolvimento local. Em suma, é uma questão estratégica que deveria ocupar um lugar central nas políticas públicas municipais.
Basta percorrer algumas ruas e localidades do concelho para identificar dificuldades que afetam particularmente a população mais idosa. Passeios degradados, barreiras arquitetónicas, insuficiência de transportes públicos e dificuldades de acesso a serviços essenciais continuam a limitar a autonomia de muitas pessoas. Para um número crescente de idosos, a independência termina quando deixam de poder conduzir. A partir desse momento, ficam dependentes da família, de vizinhos ou do apoio das instituições locais.

Importa reconhecer o trabalho meritório desenvolvido por diversas entidades do concelho no acompanhamento dos mais velhos. Contudo, a resposta ao envelhecimento não pode assentar apenas no esforço das organizações sociais. Exige uma visão integrada e uma estratégia municipal clara, capaz de antecipar os desafios que já estão a transformar a realidade local.
Por isso, é legítimo questionar até que ponto as decisões políticas e os investimentos municipais têm sido pensados à luz desta nova realidade demográfica. Quantos projetos foram desenhados considerando as necessidades de uma pessoa com 80 anos e mobilidade reduzida? Quantos investimentos procuraram combater o isolamento social? Quantas opções urbanísticas colocaram a acessibilidade e a inclusão no centro do planeamento?

O debate político local continua frequentemente concentrado em temas como o crescimento económico, a atração de investimento ou a realização de obras públicas. São objetivos importantes e indispensáveis. No entanto, raramente se discute de forma aprofundada como garantir dignidade, autonomia e participação a uma população cada vez mais envelhecida.

Ser uma cidade amiga das pessoas idosas exige mais do que promover atividades recreativas ou atribuir apoios pontuais. Exige vontade política para redefinir prioridades, investir em mobilidade de proximidade, melhorar os espaços públicos, eliminar barreiras arquitetónicas e criar mecanismos permanentes de participação dos cidadãos seniores nas decisões que afetam a comunidade.

A qualidade de uma sociedade mede-se também pela forma como trata aqueles que mais contribuíram para a sua construção. Oliveira do Bairro possui recursos humanos, instituições competentes e capacidade financeira para dar passos mais ambiciosos nesta matéria.

O que importa saber é se existe vontade política para colocar o envelhecimento no centro da agenda municipal.
Porque uma comunidade que não se prepara para envelhecer não está, verdadeiramente, preparada para o futuro. E esse futuro já chegou.