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Bruno Santos

Professor de História

Vinte e cinco anos de confusão

A 11 de setembro de 2001, 19 homens cometeram um atentado. Vinte e cinco anos depois, a conclusão do Ocidente é quase imutável: foi terrorismo islâmico, como se a religião fosse o ponto central.

Mas a história sugere algo diferente. O IRA, Exército Republicano Irlandês, operou por objetivos políticos e territoriais. O ETA, movimento separatista basco, fez o mesmo. Grupos nacionalistas de várias épocas usaram terror como ferramenta política, mas ninguém reduz estes movimentos à religião dos seus membros.

Por isso vale questionar: porque é que uma religião com 1,8 mil milhões de crentes foi automaticamente responsabilizada por um atentado de 19 homens? Por que é que as motivações políticas ficaram ofuscadas pela identidade religiosa dos autores?

A resposta está enraizada na história: o terrorismo é um fenómeno político, movido por objetivos territoriais e ideológicos, não por doutrina religiosa pura.

O 11 de Setembro foi um ato político contra símbolos do poder americano. Transformá-lo em questão de fé, em conflito civilizacional entre religiões, foi a narrativa que escolhemos acreditar. Talvez porque fosse mais simples. Talvez porque precisássemos de um inimigo visível e monolítico.