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João Pacheco Matos

joaopmatos@hotmail.com

Toni (mas também PPC)

Não há novidades sobre o caso mais grave da história da Assembleia da República desde o cerco à constituinte. Foi a 28/07 que nos anunciaram a invasão do gabinete de Ventura.

O título desta crónica volta a ter um nome do futebol. Mas agora no início do texto. Merece o destaque. E não é por ser bairradino – mas ainda bem que é.

Toni é um exemplo de caráter, amor pelo seu clube, profissionalismo, firmeza, educação e urbanidade (é verdade que houve momentos acalorados, mas quem nunca…). Se há personalidade desportiva que deve ser acarinhada é o Toni. Por todos os que gostam de desporto. É um exemplo de que, para defender intransigentemente o seu clube, não é preciso vomitar insultos aos adversários.

No Benfica, juntamente com Coluna e Eusébio, constitui a tríade que define as raízes mais profundas do maior (mas não melhor…) clube português. Espero que os benfiquistas nunca se esqueçam. Merece homenagem mais significativa do seu clube.

Esteve bem a Académica. E muito bem a Câmara de Anadia, com relevante e perene homenagem – está de parabéns pela iniciativa.

Como sportinguista, sócio há 40 anos, lion seat, micro acionista da SAD e recrutador de vários jovens sportinguistas angariados em hostes adversárias, presto-lhe esta singela homenagem.

Não posso deixar passar a entrevista a Pedro Passos Coelho e frisar alguns pontos que não resistem ao mais elementar teste lógico – sem com isto desvalorizar algumas das críticas que tem feito a este (e outros) governo, nomeadamente o empurrar com a barriga, não atacar os problemas graves com coragem, o governar a pensar nas sondagens e a falta de uma ideia clara para o caminho do país.

Pôr em causa o “não é não” de Montenegro é esquecer-se que a posição dúbia de Rui Rio sobre Ventura deu uma maioria absoluta ao PS de Costa e que foi aquela frase que permitiu à AD ganhar as eleições ao PS por uma margem de 0,84% dos votos. Não haveria acordos a fazer com uma “maioria de direita”, se a AD não tivesse assumido o “não é não” previamente. Pela lógica temporal, devia ser um não assunto.

Se Passos se sente traído por uma coligação contra-natura de PS+PCP+BE, pela mesma lógica de posicionamentos partidários, uma coligação PSD+CDS+Chega é também contra-natura.

Fazer acordos com um partido exige, antes mais, ideias base comuns. Ventura manteria a TAP pública, cobra autoestradas a todos (ao retirar portagens), quer baixar a idade da reforma, bloqueia a lei laboral da AD, é contra a alteração de regras de contratação pública para um Estado mais ágil, desvaloriza as contas certas. Ventura dá tudo a todos. Passos quer um novo futuro que tem de passar por um caminho difícil. São incompatíveis na lógica das ideias.

E a confiança entre as partes? Já nem me refiro aos insultos pessoais de Ventura a Montenegro. Relembro apenas, ainda o governo não estava formado, como Ventura mostrou ao país que nem para eleger o Presidente da Assembleia da República é confiável. Logicamente, não há confiança para qualquer parceria.

Porém, não defendo um bloco central. Pelo contrário. Sendo no centro sério que tem de se trilhar os caminhos de futuro, é nesse mesmo centro que se vinca, discute as diferenças e se escolhe a forma de lá chegar. O debate é entre as visões diferentes ao centro. O resto é barulho e distração.

Relembro o que já escrevi: Ventura quer matar o PSD para lutar com PS. Se o PSD for segundo atrás de Ventura, é o fim da nossa tradição democrática. O fim do PSD. E o fim de Passos.