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Orlando Fernandes

Assinante JB

Dependemos de todos

O novo ano traz ainda inquietações, mas também desafios. A pandemia irá acompanhar grande parte do ano, mas a perspetiva de ultrapassarmos esta crise é uma oportunidade para corrigirmos o rumo da sociedade e o caminho de cada um.

Na política, poderá ser o tempo de afirmação da consistência e da responsabilidade sobre o oportunismo. A eleição presidencial será, certamente, a confirmação desta atitude e nas eleições autárquicas também teremos essa oportunidade.

No caminho pessoal haverá espaço para valorizarmos o que realmente é importante para além das frivolidades. Na sociedade e no meio em que vivemos, poderemos regressar aos valores da solidariedade e da promoção do bem comum.

Ao contrário do que alguns afirmam, a pandemia não promoverá, por si só, um novo mundo. Alguns meses de uma vida em circunstâncias diferentes, por muito que a vida de cada um e em sociedade se tenha alterado e nos tivéssemos de adaptar, não alterarão o nosso modo de vida – para o bem e para o mal.

A nossa forma de estar e de nos relacionarmos, o conceito de sociedade e os nossos valores são resultado de uma civilização alicerçada em gerações de evolução e de hábitos enraizados. A necessidade de estarmos juntos, os afetos e os hábitos são mais fortes que uns meses de adaptação que não significam mudança. Como uma mola pressionada, quando libertada, voltará à posição inicial após algumas oscilações.

A perspetiva de nos voltarmos a encontrar, a conviver, a trocar afetos, a retomar as rotinas, sobretudo as que mais nos agradam, será mais forte que este tempo de restrições. E isso é bom.
Mas a atual crise pode melhorar as vidas nos planos individual e coletivo. A importância da solidariedade, da valorização do papel de cada um na sociedade e da satisfação das relações sociais pode aumentar, fruto da experiência que vivemos. Também a importância da saúde e da vida ganharão outro significado.

A sociedade pode e deve compreender melhor, o significado de ‘casa comum’. E em cada meio, seja de trabalho, de estudo ou de família, no nosso bairro, no país e no mundo, vivemos e dependemos de todos e dos recursos em nosso redor. Por esse motivo, cuidar da ‘casa comum’ é vital.
Na política, espero, a atitude responsável e solidária de colocar o bem comum à frente das conveniências pessoais ou partidárias deverá ser reconhecida.

Numa situação de crise inédita como a que atravessamos, a posição correta é a de estar disponível para cooperar ou para promover as condições de modo a que os decisores possam ser bem-sucedidos.

A democracia não pode ser suspensa, as críticas devem ser feitas e as soluções alternativas devem ser apresentadas, mas o sentido de responsabilidade deve imperar, recusando o oportunismo de aproveitar falhas ou fragilidades perante esta crise.

Na atual crise tem sido possível observar o oportunismo politico e também o sentido de responsabilidade.

Acredito que a crise possa servir para depurar e qualificar a política e os seus protagonistas. O julgamento caberá aos cidadãos. Este ano porá à prova esse juízo.