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Manuel Armando

Padre

Reviver é importante

Se cada pessoa escrevesse acerca de si o bom, o menos bom e o mau, de quanto se deveria recordar e reviver, trazendo e pondo ao sol acontecimentos e atitudes extraordinárias como também alguns possíveis desastres ocasionais e pessoais.

Tantas ocasiões nos serviram de base na elevação, mas que foram desperdiçadas! Esta parte negativa é melhor metê-la no monturo do esquecimento e dar lugar à contemplação e ação de graças ao Criador por uma infinidade de coisas lindas e proveitosas que nos fariam verdadeiramente felizes se fôssemos capazes de as tornar presentes.

Então, afinal, o que e quem somos nós?
Escrever não terá de ser, forçosamente, uma arte, mas pode imaginar-se como necessidade psicológica pessoal e social. Será um modo de esquadrinhar quantas causas já esquecidas, mas que, de um momento para o outro, se desprendem da nossa subconsciência e trazem ao de cima a atualização de sentimentos e novos ideais.

Escrever até pode ser equiparado a um divertimento, mas, de verdade, considere-se uma ocupação festiva que engalana o nosso ser, por trazer até nós peripécias que encheram, outrora, o nosso ser e agir de acontecimentos e sucessos que nos puseram diante dos nossos olhos numerosos motivos, pejados de significado e consolo pelos objetivos alcançados.
Sentimentos que jamais acabarão e que, ao serem despoletados, acarretam a continuidade do júbilo experimentado noutros tempos.

A nossa mente é um alfobre de experiências armazenadas, umas mais conscientes, outras, menos, mas que, outrora, construíram a nossa personalidade, ainda que sem grande canseira pessoal.
Fomo-nos moldando consoante o ambiente psicológico dos homens e mulheres do nosso meio de crescimento, mas, como é evidente, somos, em primeiro lugar, fruto da família que, mesmo quando de parcos haveres materiais, assumiu constantemente o desenvolvimento harmónico de cada um. Em casa, pai e mãe foram firmando o alicerce onde se deveriam sustentar todos os episódios interessantes que marcaram, bem fundo, a nossa
personalidade que, natural-
mente, sempre cuidou de olhar os mais crescidos como autênticas bitolas dos atos que foram os componentes elaboradores daquilo em que nos tornámos adultos.

Não admira, portanto, termos de nos penalizar pela falta de esforços particulares com que, tantas vezes, teremos encarado o desenrolar do nosso crescimento e consolidação do que, agora, somos, pelo que fomos e aprendemos a ser.

Se fosse possível regressar ao tempo de certo amadurecimento humano mais vivo em todos os sentidos, de certeza, o mundo, o meu e o teu, seria diametralmente diferente e teria cada um de nós espaço e oportunidade de construir uma Sociedade mais racional, alentada, fraterna e compreensiva.

E, se utilizássemos tudo o que a memória assumiu ao longo dos diversos anos, seríamos diferentes, conscientes, mais saudáveis mentalmente e colaborantes no embelezamento deste Universo que o Senhor nos confiou.
Revivamos o passado, vivamos, em pleno, o presente e aceitemos o futuro sempre com esperança.