No dia 1 de Junho, para comemorar o Dia Mundial da Criança, o Rotary Club de Oliveira do Bairro promoveu uma palestra sobre o tema “Crianças em Risco, uma responsabilidade da nossa sociedade”, que esteve a cargo de Ana Raquel Abrantes de Paula, directora do Centro de Acolhimento Temporário (CAT) de Sangalhos. Apesar da divulgação, a assistência foi demasiado escassa para a palestra cujo tema é de elevado interesse actual.
Relevando a importância que as crianças têm para o futuro da Humanidade, o presidente do clube rotário, Fernando Castro, fez uma breve resenha histórica desde a criação (1946) do UNICEF, à primeira comemoração do Dia Mundial da Criança (1950), até à aprovação, em 1989, da “Convenção sobre os Direitos da Criança” pela ONU, ratificada por Portugal em 1990.
Referiu ainda quão importantes as crianças são para Rotary, que delas se ocupa através de inúmeros programas de actuação, nomeadamente com a campanha mundial de vacinação contra a Poliomielite, às campanhas contra a cegueira evitável, do combate à malária, entre outros. E não são de agora estas preocupações, pois Rotary Internacional, tendo estado na origem da criação da ONU, onde é parceiro com assento permanente, desde o início, colabora com a UNICEF e outras agências da ONU.
Apesar disso e dos progressos da ciência e da técnica, novos desafios e perigos espreitam os jovens de hoje. Daí existirem demasiadas “crianças em risco”. Em Portugal, algumas estimativas apontam para mais de 150.000, com tendência para crescer rapidamente, situações que são fruto da sociedade que vivemos e que a mesma tem obrigação de cuidar e resolver.
A Directora do CAT de Sangalhos – uma das valências da Santa Casa da Misericórdia e uma das poucas existentes na Região Centro – caracterizaria, de seguida e de forma elucidativa, não só o questão “crianças em risco”, como explicou de que maneira o Estado, através das Comissões de Menores, da Segurança Social, dos Tribunais e da Rede de Estabelecimentos de Acolhimento para este grupo de crianças procura controlar os riscos a que estiveram expostas e, durante o período de acolhimento, promover a sua recuperação com vista à sua reintegração na sociedade,  seja por via da adopção, seja por outras.
A sua intervenção foi ilustrada com os números referentes ao funcionamento do CAT de Sangalhos, com pouco mais de um ano de actividade, que recebe crianças dos mais diversos pontos do distrito e de fora dele, com idades que vão desde a infância até quase à adolescência e da mais variada condição social, em número que atinge as três dezenas.
Durante o debate que se seguiu, foram levantadas oportunas questões, relacionadas com as perspectivas de reintegração dessas crianças, mas sobretudo houve preocupação em identificar possíveis causas da sua situação. As mais apontadas foram a destruição das famílias e dos seus valores e o pouco acompanhamento que os pais dedicam hoje aos filhos em consequência das actividades em que se deixam envolver, em detrimento das obrigações familiares. Por isso, é urgente que os pais sejam os primeiros a repensar os seus comportamentos e a redefinir as suas prioridades de vida.
E o debate teria continuado se não fosse o adiantado da hora, mas ficou a expectativa de, dada a importância do tema, voltar a ser retomado pelo Clube rotário.