A ministra da Saúde, Ana Jorge, disse na sexta-feira que “falta fazer quase tudo” relativamente ao estudo sobre a construção de um novo hospital para Aveiro, para substituir a actual unidade com mais de 30 anos.

“A questão foi colocada há cerca de um ano, mas não foi dada na altura uma grande prioridade”, disse à Lusa a ministra da Saúde, em declarações à margem da cerimónia de inauguração do novo bloco operatório do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro.

Em maio de 2010, durante as comemorações dos 34 anos do Hospital Infante D. Pedro como hospital distrital, o secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, afirmou que estavam a decorrer “trabalhos preparatórios em relação ao perfil do novo hospital e algum diálogo com algumas instituições sobre a sua localização”.

No entanto, a ministra da Saúde afirmou hoje que ainda “está tudo numa fase preliminar”.

“A única questão que estava decidida era que era necessário programar e pensar num hospital de substituição para Aveiro”, afirmou Ana Jorge.

Quanto à localização para o novo hospital, a governante sublinhou que a actual unidade tem uma localização “muito privilegiada do ponto de vista da sua situação e da sua relação com a universidade”, defendendo que isso tem de ser considerado.

O administrador do Hospital de Aveiro, Francisco Pimentel, aproveitou a oportunidade para defender o início imediato do trabalho de “pensamento e planificação do novo hospital da região de Aveiro”, acrescentando que só depois é que deve ser colocada a questão se o país tem condições económicas para concretizar a obra.

“Se a resposta foi negativa, dever-se-á manter o projecto vivo e actual até ao momento em que haja condições para se fazer a construção”, afirmou Francisco Pimentel.

A construção de um novo hospital em Aveiro, que irá servir uma população a rondar os 350 mil habitantes, é uma aspiração antiga das autoridades locais, tendo em conta as dificuldades na resposta aos utentes que a atual unidade enfrenta.

Quanto ao bloco operatório hoje inaugurado, o administrador do Hospital de Aveiro disse que o novo espaço “garante situações de operacionalidade muito superiores à situação previamente existente”, mas sublinhou que se trata de uma obra que está inacabada, nomeadamente “pela falta de recobro, de acordo com o projeto inicial”.

As obras de remodelação do bloco operatório custaram 3,4 milhões de euros, um investimento que foi financiado em 46 por cento pelo QREN, sendo o restante pago com verbas do hospital.

Francisco Pimentel anunciou ainda que na segunda quinzena de Abril, o Hospital de Aveiro deixará a “era da película em radiologia”, com a inauguração do serviço de imagiologia.

“É mais um passo no sentido de estarmos na modernidade dos cuidados de saúde”, afirmou Pimentel, acrescentando que, até agora, o Hospital de Aveiro era o único com esta dimensão que ainda recorria às técnicas de revelação.