Há cerca de dois anos, Jornal da Bairrada dava nota de uma jovem que tem dado nas vistas nos EUA (e não só!), cantando o fado. Nathalie Pires reside em New Jersey, EUA, mas tem origens na Bairrada. Seus pais emigraram para o outro lado do Atlântico e ainda hoje residem em New Jersey, mas foi a freguesia de Bustos, Oliveira do Bairro, que os viu nascer. O pai, Telmo Pires (filho do falecido Filipe Augusto Pires), nasceu na Póvoa de Bustos, e a mãe, Isaura Batista Pires (filha do falecido Jaime Batista) no Sobreiro.

Ano ímpar. 2011 foi de facto um ano memorável na carreira artística de Nathalie Pires e a cereja em cima do bolo aconteceu em Novembro, quando a fadista se deslocou a Lisboa para cantar na “VI Gala Amália” (foto 1), a convite da Fundação Amália Rodrigues, onde partilhou, com sucesso, honras de palco com alguns dos artistas mais destacados da comunidade fadista, como Camané, Maria Amélia Proença, Ricardo Ribeiro, Ana Marta, Deolinda, entre outros. Este convite surgiu à face do projecto “Fado Encantado”, criado pelo produtor João Calado, inspirado pela fadista luso-americana, aquando de uma das suas várias actuações no Clube de Fado em Alfama.
“Fado Encantado” é um projecto composto por fadistas estrangeiros que representam os sete países mais marcantes na carreira internacional da eterna Amália Rodrigues. Após breves segmentos de fados clássicos de Amália Rodrigues nas vozes de intérpretes do Brasil, Espanha e Japão, por ser considerada a fadista de mais sucesso fora de Portugal, Nathalie Pires fechou “Fado Encantado”, cantando o tema “Estranha Forma de Vida”, arrancando do público um merecido forte aplauso.
No dia 27 de Novembro, a artista celebrou a declaração do Fado como Património Imaterial da Humanidade, no Museu do Fado, em Alfama. Nathalie encontrava-se entre o público, quando foi reconhecida pelos fadistas Cuca Roseta e Miguel Capucho. E foi precisamente este que, ao microfone, denunciou a sua presença, pedindo-lhe para cantar. Nathalie Pires cantou dois fados, recebendo carinhosos e calorosos aplausos do público e, por insistência da assistência, interpretou ainda o fado Loucura.
No dia seguinte, seria convidada pelo presidente da Fundação Amália Rodrigues para uma visita guiada à “Casa Museu de Amália Rodrigues”. E foi na sala onde Amália recebia os convidados e amigos mais íntimos que, sentada no sofá da saudosa “Diva do Fado”, em conversa amena com o presidente da fundação, João Aguiar, este lhe ofereceu uma medalha de mérito em nome da fundação (foto 2), por ser uma “Embaixatriz do fado e representar Amália” com toda a dignidade fora de Portugal.
De regresso aos EUA, no dia 2 de Dezembro, integrado nas celebrações dos 150 anos da BMA (Brooklyn Academy Of Music), e em conjunção com o “BAM Next Wave Festival”, no projecto “Tudo Isto é Fado” (foto 3), com elenco composto por Lisboa Soul, Camané, Nathalie Pires, Deolinda, Amália Hoje e Ricardo Parreira, a fadista luso-americana teve o seu próprio concerto no BAMcafé Live com a lotação esgotada.
Entre mais de 50 apresentações durante este ano, destacam-se várias com a Manhattan Camerata (foto 4), tendo ainda gravado cinco temas do Fado tradicional com a orquestra de New York, da qual é integrante do “Tango-Fado Project”.

Estreias. Em Março teve o privilégio de ser convidada a interpretar o hino nacional dos EUA perante mais de 20 mil pessoas, no NY Red Bull Arena (foto 5), aquando da abertura do campeonato de futebol da divisão profissional dos EUA. Em Junho, fez parte de um acontecimento histórico, a 1.ª celebração do Dia de Portugal na cidade de Nova Iorque (foto 6), na qual participaram mais de 7 mil pessoas. Nathalie Pires cantou os hinos e Fado no emblemático Central Park, a convite do Portuguese Circle.
Exercendo a sua profissão de contabilista a tempo inteiro e alternando os tempos livres com a arte de cantar o Fado, Nathalie representou Portugal e a sua cultura musical entre 25 grupos de outros países, no “Festival Internacional de Música e Dança” em St. John’s, no Canadá, em Julho.
Paralelamente com estas actuações de relevo, Nathalie cantou fado para pessoas das mais variadas etnias, no restaurante “Pão” em Manhattan quase todas as semanas durante os quatro primeiros meses do ano. Gravou ainda uma balada rock com Manuel Cabral (Manel dos D’Alma), para o seu novo álbum e serviu de inspiração para a pintora e amiga Vivian Francisco, numa série de quadros alusivos ao Fado, cantando em algumas das exposições.
JB deseja a esta conterrânea que continue a dignificar Portugal e o Fado, Património Imaterial da Humanidade, como tem feito até aqui e que 2012 lhe traga ainda mais sucessos artísticos.