O secretário de Estado das Obras Públicas, dos Transportes e Comunicações afirmou que as propostas quanto à revitalização da Linha do vale do Vouga “têm valor” e que o Governo está em “condições de garantir o serviço”. A declaração de Sérgio Monteiro foi uma resposta a perguntas do deputado do PSD Paulo Cavaleiro, numa audição na Comissão de Economia e Obras Públicas, convocada para fazer o ponto de situação da reestruturação do setor empresarial do Estado no domínio dos transportes, na sequência de requerimento do PSD e CDS-PP.

Sérgio Monteiro disse ter já recebido as conclusões preliminares da análise que o novo conselho de administração da CP fez ao relatório que a Junta Metropolitana do Porto encomendara e que aponta no sentido da viabilidade da Linha do Vale do Vouga. O secretário de Estado sublinhou, no entanto, que “haverá, agora, um aprofundamento da análise e oportunamente as conclusões serão comunicadas”.

“A proposta quanto à Linha do Vouga tem valor, porque ajusta os pontos de origem e de destino do serviço e a sua regularidade, por forma a termos um custo consentâneo com a realidade orçamental, não privando os passageiros do serviço” – disse, na ocasião, Sérgio Monteiro, sublinhando que a decisão de encerramento da ferrovia vinha do Governo anterior, que apontava no sentido de fechar a passageiros e mercadorias mais de 800 quilómetros de linha. As negociações com a “troika” levaram, numa primeira fase, a uma redução substancial das supressões anteriormente definidas. “Conseguimos negociar com a ‘troika’ o não encerramento e estamos agora em condições de aprofundarmos a poupança e garantirmos o serviço” – revelou o governante.

O deputado Paulo Cavaleiro voltara a colocar a Linha do Vouga na “agenda”, referindo-se aos dois troços – o que liga os concelhos de Espinho, Santa Maria da Feira, S. João da Madeira Oliveira de Azeméis e a ligação Aveiro/Águeda. “O grupo parlamentar do PSD sempre defendeu uma intervenção que permita a viabilidade, numa lógica de sustentabilidade” – revelou o parlamentar aveirense perante o secretário de Estado. O deputado social democrata referiu-se ao estudo encomendado pela Junta Metropolitana do Porto, que apontava no sentido da sustentabilidade da linha e sublinhava não haver custos para o erário público, porque a solução seria juntar fundos comunitários a capital privado, deixando o risco de exploração para este.

“Defendemos a integração do troço Espinho/Oliveira de Azeméis na futura concessão CP Porto, que permitiria à região beneficiar do sistema intermodal Andante” – afirmou Paulo Cavaleiro, referindo-se, igualmente, ao troço Aveiro/Águeda, que registou novo impulso desde 2010, “e que seria uma alternativa a uma rede viária muito saturada, para a qual têm sido prometidas obras, nunca executadas”.