Abordar a economia numa altura de grandes mudanças e viragens nos mercados, aproveitar o momento menos favorável das finanças da maior parte das empresas para repensar objetivos e perspetivar novos rumos comerciais foram desafios colocados no 3.º Jantar Conferência do Jornal da Bairrada, organizado em conjunto com a Câmara Municipal de Oliveira do Bairro e subordinado ao tema “A Economia que Funciona”.

No restaurante D. Rogério, em Oiã, juntaram-se, no dia 4 de dezembro, cerca de duas centenas de participantes, numa plateia recheada de empresários, autarcas, líderes associativos, entre outras figuras proeminentes do desenvolvimento económico da Bairrada.

Daniel Bessa: Capitalização das empresas é prioritária

O ex-ministro de António Guterres, Daniel Bessa, abriu a conferência e deu enfoque ao facto de termos uma economia dicotómica no país, garantindo que “há um Portugal que está à margem da crise” e, por outro lado, “há meio país pendurado nas dívidas públicas e com a crise das finanças públicas, é o diabo”.
Para o agora diretor-geral da COTEC Portugal, dicotomia é também a marca no financiamento das empresas, argumentando que, por mais paradoxal que essa possa parecer, retrata a realidade do país, já que “há uma economia que funciona, que merece toda a confiança do sistema bancário”, mas também “há uma economia que não funciona, rejeitada pelo sistema bancário”.
Para o futuro, o ex-governante acredita que vai haver grandes dificuldades para os empresários, deixando como desafios a rentabilidade ou melhoria da balança comercial, elegendo a capitalização das empresas como “objetivo principal”, seguindo como tarefa “trabalhar a rentabilidade, depois de preocupações com a qualidade e a solidez”.

Rui Assis: Tecnologia permite testar mercado antes do investimento

Seguiu-se na conferência a intervenção de Rui Assis, responsável da área de Consultoria de Transformação de Negócios da PT Empresas, deixando o vinco de que a massificação da internet tem sido determinante para o sucesso da economia e, pegando no exemplo das empresas de hotelaria e turismo, o desenvolvimento da tecnologia levou à desintermediação, ou seja, “colocou as empresas em contacto direto com os clientes”, mas, por outro lado, criou um nicho de negócio de intermediários virtuais, que colocam novos desafios aos empresários do ramo, o que, para este responsável, faz funcionar a economia.

Carlos Coelho: Gerir uma marca é controlar uma metade e seduzir outra metade

O último orador foi Carlos Coelho, uma das grandes referências portuguesas no domínio da construção e gestão de marcas. Fundador e presidente da Ivity Brand Corp, este responsável arrancou sonoras gargalhadas da plateia, que por alguns minutos foi desafiada a pensar no valor do país, nas suas marcas e identidade. E começou pela cómica alegoria de “um cão a fazer xixi na roda de um automóvel, deixando uma marca e definindo território. Os territórios estão sempre a mexer, por isso temos que estar, no mínimo, sempre a fazer xixi”.
Numa intervenção proativa e positiva sobre Portugal e os portugueses, aquele responsável apelidou o país de “extraordinário” e não se cansou de deixar casos de sucesso, entre eles a famosa onda da Nazaré surfada por McNamara: “Uma onda ao final da rua pode mudar uma economia inteira”. Os três vinhos de Portugal no lote dos quatro melhores do mundo e outros exemplos foram também mote para a intervenção de Carlos Coelho, defendendo que, já que o mundo está rendido ao nosso valor, “é altura de subir preços”.
“Portugal é um país de pequenas coisas extraordinárias”, disse Carlos Coelho, almejando ver no futuro “um alemão a trabalhar muito para poder comprar um vinho baga português”. “Esta é a altura para sonhar, fazer coisas que os outros não fazem”, concluiu.
No encerramento da iniciativa, o presidente da Câmara de Oliveira do Bairro, Mário João Oliveira, congratulou-se com o elevado número de presenças, entre as quais os seus congéneres de Cantanhede e Vagos – e vereadores dos restantes municípios bairradinos – com a qualidade dos oradores e com o facto daquela noite ter permitido abordar melhor termos como “tecnologia, valor, competitividade e, sobretudo, falar bem das potencialidades do nosso país”.
O 3.º Jantar Conferência JB/CMOB contou com com o Alto Patrocínio da PT Empresas e os apoios da Associação Comercial e Industrial da Bairrada (ACIB) e da Associação da Empresarial de Águeda (AEA).

João Paulo Teles

Reportagem completa na edição impressa ou digital do Jornal da Bairrada de 11/12/2014