A Escola Básica do 1.º Ciclo da Fogueira, atualmente designada por Sangalhos D, alcançou o melhor lugar – das escolas públicas – no ranking nacional relativo aos exames do 4.º ano (Português e Matémática), no ano letivo 2013/2014.
No ranking geral do 1.º CEB agora conhecido, esta pequena escola surge em 3.º lugar. À sua frente estão apenas dois estabelecimentos de ensino privados, um de Lisboa e outro de Coimbra.
O insólito do caso prende-se com o facto de ter sido apenas uma aluna a realizar exames do 4.º ano naquela escola.
A pequena Matilde Marinho, de 9 anos, conseguiu esta proeza para a escola ao obter no exame de Português 90% (nível 5) e 87% (nível 4) a Matemática. O somatório dos dois exames atribui à escola uma média de 88,5%, catapultando-a para o 3.º lugar no ranking nacional, sendo a 1.ª das escolas públicas.

Professora orgulhosa. A professora Lúcia Silva dá aulas nesta pequena escola de aldeia vai para uns 15 anos e, com 33 anos de profissão, não poderia estar mais orgulhosa de uma aluna. “A Matilde é, desde o 1.º ano, uma menina muito atenta, aplicada, muito responsável”, recorda. Por isso, sempre acreditou nas suas capacidades e no facto dela conseguir tirar boas notas nos exames, embora os fatores nervosismo, ansiedade e medo, por vezes sejam verdadeiras “ratoeiras”, bloqueando os melhores alunos, tanto mais que foi a única aluna desta escola a ter de se deslocar para um Centro Escolar vizinho onde fez os exames, num ambiente que lhe era completamente desconhecido.
Habituada a trabalhar com grupos pequenos, no ano transato, a sala da professora Lúcia tinha um total de nove alunos (um aluno do 1.º ano, um do 2.º, seis do 3.º e uma aluna no 4.º ano).
Este ano, o panorama é semelhante. São sete alunos, mas distribuídos por apenas dois anos (2.º e 4.º ano).
Embora reconheça que estas turmas pequenas lhe têm permitido tirar notas muito jeitosas nos exames, sabe, melhor do que ninguém, que não é fácil estar numa escola agora de lugar único, com os quatro graus de ensino.
Como explicou a JB, “não é fácil planificar aulas diárias para diferentes graus de ensino, fazer fichas de trabalho, sumários, tudo diferente, consoante os anos”. E, depois, dentro de cada ano, avança existirem também alunos ou grupo de alunos que estão mais avançados ou mais atrasados. “Acabo por não estar a dar trabalho a dois anos mas a mais, consoante o estado de evolução/aprendizagem de cada criança”, admite a docente.
Recorda com saudade o tempo em que havia mais crianças, mais docentes. Hoje, são cada vez menos as crianças nesta escola condenada ao encerramento (talvez ainda este ano), quando abrir o novo Centro Escolar de Sangalhos. Uma situação que admite ter-se agravado com o encerramento do Jardim de Infância, localizado paredes meias com a Escola.

Sonha com a área da Saúde. Matilde Marinho é hoje aluna do 5.º ano na EB 2/3 Dr. Acácio de Azevedo, em Oliveira do Bairro. Aluna empenhada e trabalhadora, continua a tirar boas notas, apesar da mudança que se sabe ser enorme quando um aluno passa da primária para o segundo ciclo.
A Matemática e o Português continuam a ser matérias muito queridas para esta aluna e, recordando os dias em que fez os exames, diz que, apesar de terem corrido bem, não esperava tanto.
“Achei que podia ter boas notas, mas estava nervosa pois não conhecia ninguém na escola onde fiz os exames” e sublinha que as notas que alcançou mostram que, “embora estas pequenas escolas de aldeia sejam desvalorizadas, não lhes sendo dada grande importância, agora são obrigadas a reconhecer que basta uma pessoa para mudar tudo”. Foi o seu caso. Para os pais, Maria do Céu Marinho e Ramiro Marinho, esta foi uma muito agradável surpresa, motivo do maior orgulho.
Hoje, a Matilde diz estar completamente integrada no 2.º ciclo, ter muitos amigos e gostar muito da nova escola.
Catarina Cerca