São os 14 mil m2 de área coberta e os 46 mil e 600 m2 quadrados de terreno onde se encontra implantada que fazem da nova Escola Básica e Secundária de Anadia um dos maiores estabelecimentos de ensino da região.
A apresentação do novo equipamento escolar aos alunos e pais decorreu na última semana. JB esteve presente e deixa aqui alguns registos e opiniões sobre este espaço que é único no concelho, mas onde a falta de pessoal, de computadores, de retroprojetores e de rede de telecomunicações é, para já, a maior dor de cabeça.

“Muito grande, moderna e arejada”. “Uma escola onde apetece estar”. É assim que alunos, pais, professores e funcionários veem a nova Escola Básica e Secundária de Anadia. Envolvido por uma enorme zona exterior devidamente vedada e ajardinada, este novíssimo equipamento escolar está localizado junto ao complexo desportivo da cidade de Anadia.
Num esforço gigantesco, a nova direção do Agrupamento de Escolas de Anadia, liderada por Jorge Humberto Pereira, conseguiu realizar as apresentações (dias 17 e 18) e começar as aulas (dia 21) neste moderno equipamento escolar. Para trás ficam vários anos passados numa escola que já não reunia as condições mínimas para trabalhar, agravados por três penosos anos de interrupção na construção da nova escola.
Foi com enormes sorrisos estampados nos rostos que vimos chegar, em dia de apresentação, alunos e pais a esta escola considerada por todos “enorme”. Ninguém escondia a ansiedade e até algum nervosismo, logo dissipados com as explicações sobre a forma como irá funcionar este novo equipamento escolar.

Falta de pessoal. Em dia de apresentação as questões mais delicadas prenderam-se com a segurança e a falta de pessoal, sobretudo para vigilância, manutenção e limpeza dos espaços.
Se as entradas e saídas são controladas por um cartão individual de acesso, a vigilância nos espaços escolares é o mais complicado, devido à falta de recursos humanos. Por isso, o Agrupamento já endereçou um pedido urgente de pessoal para a DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares) a solicitar, a título, excecional, mais funcionários. “São necessários mais 15 a 20 funcionários para que tudo funcione bem”, avança a JB Jorge Humberto Pereira. Daí que em dia de receção aos alunos tenha deixado um apelo a todos: “mantenham a escola limpa, tenham gosto nos espaços, não sujem as paredes e se possível ajudem os funcionários. Os gestos mais simples e pequenos podem fazer toda a diferença”.

Cantina. O enorme refeitório é um dos locais onde se sente (e bastante) a falta de pessoal. Ali trabalham apenas oito pessoas responsáveis pela preparação de uma média diária de 850 refeições. Terá duas linhas de self-service e a chamada será feita por turma e por ordem rotativa, semanalmente.
Os 5.ºs e 6.ºs anos serão sempre os primeiros a entrar no refeitório e só depois os restantes anos.
Assim, deixa de ser necessário “correr para a fila”, pois haverá um plano para os alunos almoçarem.

Recreio para os mais pequenos. Também a pensar nos mais pequenos (5.º e 6º anos), que pela primeira vez, se juntam nesta mega escola com alunos mais velhos (7.º ao 12.º), foi criado um recreio exclusivo a alunos do 5.º e do 6.º ano, ainda que estes possam circular por toda a escola como todos os outros alunos.

Sistema de segurança de emergência. A escola está equipada com um sofisticado e complexo sistema de segurança (alarmes). Por isso, todos os alunos estão a ser alertados para que não acionem inadvertidamente estes equipamentos. “Ao fazerem-no será o caos, pois a escola para e cria-se o pânico”, alertou o diretor sublinhando ainda que estes equipamentos existem apenas para situações de emergência, já que haverá cortes imediatos de energia, as portas corta-fogo são acionadas, entre outras medidas de segurança.

Conforto e tranquilidade da biblioteca. Numa breve visita à biblioteca, a professora Manuela Monteiro, responsável pelo espaço, realça como este é convidativo e acolhedor, proporcionando todos os serviços – leitura, estudo e lazer. Um espaço onde o conforto, a tranquilidade, a luz natural ajudam ao equilíbrio e bem-estar.
“Não dá para comparar com a outra biblioteca onde, mesmo assim, tínhamos uma média diária de 120 alunos e 2 a 3 turmas na biblioteca ao longo do dia. “Queremos aumentar essa média”, todavia, não deixa de lamentar que num local tão belo e nobre haja uma grande falta de meios informáticos: o ideal era ter cerca de 10 a 15 computadores para os alunos. “Neste momento temos apenas oito velhos PC’s e portáteis de 2007, completamente obsoletos”.

Pais satisfeitos. Para Ana Paula Gama, da Associação de Pais e Encarregados de Educação, trata-de de uma escola nova e de uma direção nova, estando, por isso, “reunidas todas as condições para que esta seja uma escola de excelência”. Um espaço que reúne todas as condições para o ensino de qualidade, ainda que esteja ciente de que, neste arranque, há alguns constrangimentos a ultrapassar: “é uma fase de aprendizagem para todos”. Tal como o diretor, apela à consciência e civismo dos alunos para que mantenham a escola limpa, asseada, evitando estragar equipamentos, porque a escola é de todos e para todos.
Com o processo de transferência para esta nova escola concluído, a direção sublinha o facto da cantina continuar a funcionar por administração-direta, por forma a manter uma alimentação o mais próxima possível da comida caseira, confecionada com toda a qualidade. Ao mesmo tempo, recorda que as turmas incluem vários alunos com necessidades educativas especiais, o que requer uma exigência muito maior a todos os profissionais e colaboradores.
A terminar evidenciam também que os cortes da Parque Escolar para com esta obra obrigaram a colocar nesta nova escola todo o equipamento e mobiliário existente nas duas antigas escolas. Tudo foi aproveitado, faltando por isso ainda muito mobiliário e equipamento para preencher todos os espaços desta mega-escola.
A direção não deixa de elogiar a forma exemplar como o empreiteiro da obra colaborou com a mudança, num esforço colossal. Para além de ter prestado uma ajuda imprescindível na mudança, continuará presente na escola até dezembro, já que existem pequenas obras e afinações a realizar, mas apenas quando não houver aulas, ou seja, durante a noite e finais de semana.

Aluno-padrinho

Numa escola onde se cruzam, pela primeira vez, alunos com idades tão díspares, houve a necessidade de assegurar a melhor convivência entre as diferentes faixas etárias. Criar e fortalecer laços de amizade é imperativo numa escola com esta dimensão. Nasceu assim o projeto que tem dado frutos muito positivos em escolas grandes como esta.
O conceito de “aluno-padrinho” vai ser uma realidade neste novo espaço. Os alunos do 12.º ano vão ser incentivados e convidados a apadrinhar alunos do 5.º ano e os do 11.º ano a apadrinhar os alunos do 6.º ano.
“Queremos que os alunos mais velhos, no dia a dia, orientem e protejam os mais novos por forma a que estes se sintam mais seguros, integrados e confortados”, avança Jorge Humberto Pereira.