O Agrupamento de Escuteiros 221 de Anadia está a celebrar meio século de existência (completa 50 anos no dia 16 de abril) mas no próximo domingo, dia 3 de abril, inaugura a nova sede, localizada na EB 1 de Alféloas.
Luís Rocha, chefe do Agrupamento há cinco anos, falou a JB desta data tão marcante na vida do Agrupamento, mas também da sua história e evolução ao longo destas cinco décadas de vida, e de como esta nova casa veio melhorar a forma de trabalhar.

Conforto e espaço. A nova sede, que será inaugurada domingo, resulta de um esforço conjunto: Agrupamento, União de Freguesias de Arcos/Mogofores e da Câmara Municipal de Anadia.
Desativada em 2012, a EB 1 de Alféloas é o novo “lar” do Agrupamento que, depois de obras de recuperação e de ampliação, dotaram o espaço de todas as condições para o desenvolvimento de um trabalho de excelência com todas as secções.
Assim, qualidade, conforto e segurança são apenas alguns dos adjetivos que podem caracterizar esta nova sede. “Esta escola foi um tiro certeiro, foi desativada em 2012 e foi cedida à União de Freguesias. É a nossa segunda casa própria que, graças a muito trabalho, empenho e dedicação de todas as partes envolvidas, permitiu que, em 2013, acontecesse a nossa passagem para estas novas instalações que vão agora ser inauguradas”. O programa inaugural inclui, no dia 3, às 11h: Eucaristia na Igreja Matriz de Anadia; 12h: Sessão Solene no mesmo local, seguida de inauguração da sede em Alféloas; 13h: Convívio na sede, em Alféloas.
Luís Rocha afiança que esta sede é um bom reflexo da forma como o Agrupamento está na comunidade e de como a comunidade vê o Agrupamento: “O Agrupamento conseguiu, com a sua credibilidade, o reconhecimento que transmite aos pais, à comunidade, às empresas e entidades oficiais e autárquicas, obter daqueles, num muito curto espaço de tempo, o apoio necessário para criar esta sede”, não deixando também de garantir que “neste momento não haverá muitos agrupamentos na região de Aveiro com sedes e instalações como têm os Agrupamentos do concelho”.
“Nós investimos aqui muito, porque quisemos ir mais longe. Por isso, o futuro passa por mais 50 anos e esta sede é um bom exemplo dos propósitos do Agrupamento, pois estamos convictos do que queremos”, destacou.

Cinquenta anos. A inauguração que agora vai acontecer está inserida no âmbito da comemoração do cinquentenário, já iniciada em 2015. “Quisemos, dentro do que são as atividades normais na vida do Agrupamento dar-lhe um revestimento especial por via da comemoração do cinquentenário, trazendo para Anadia muitas das atividades que normalmente são feitas noutros pontos do distrito” (ver caixa).
Embora não haja registos entre 1965 e 1985, Luís Rocha admite que por este Agrupamento já passaram 600 elementos (confirmados), número que pode rondar os 800 elementos, tendo em conta os 20 anos dos quais não há registos.
Reconhecendo que os 50 anos são, sem dúvida, um marco na história de qualquer associação, garante que no Agrupamento (apesar da idade) se respira jovialidade. Integram presentemente o Agrupamento de Anadia 73 elementos, dos quais 12 dirigentes. Mas olhando para trás, o grande boom deu-se efetivamente na década de 80 em que o Agrupamento atingiu os 170 elementos. Depois, com o tempo, este número foi diminuindo, situação justificada com a criação de outros Agrupamentos no concelho (Sangalhos, Avelãs de Cima e S. Lourenço do Bairro), o que fez com que os jovens se fossem distribuindo pelos novos agrupamentos. Nos dias que correm é incontornável o decréscimo do número de elementos, muito devido a uma menor taxa de natalidade. “Está a inverter-se o nível de efetivos nas secções que eram maiores na entrada (1.ª e 2ª secções) e, neste momento, vive-se uma inversão, as secções mais velhas têm mais efetivos, o que nos deixa alguma preocupação do ponto de vista pedagógico e de como dar a volta a esta tendência”. Por isso, têm promovido várias ações para captar crianças, revelou, admitindo que o efetivo ideal deveria rondar os 90 elementos.
“Neste momento, temos uma enorme quantidade de pessoas a colaborar e a trabalhar connosco no mais variado tipo de atividades, desde os pais, familiares, FNA – Fraternidade de Nuno Álvares – Núcleo de Anadia”.
Convicto de que o escutismo não está a atravessar nenhuma crise, Luís Rocha explica esta tendência com o facto do escutismo estar a viver uma contingência e uma conjuntura que é transversal ao país (envelhecimento da população, decréscimo acentuado da taxa de natalidade), mas a tentar com as armas que tem ao seu dispor, contrariar essa tendência, através de um projeto educativo muito mais aperfeiçoado, pensado e planeado, capaz de cativar mais crianças e jovens.
“Aqui consegue-se implementar uma relação de partilha, amizade e cumplicidade entre as pessoas que não se encontra em nenhum outro sítio”, diz.
“Cinquenta anos parece imenso tempo, mas o nosso propósito é continuar a fazer o que temos feito até hoje, se possível com a mesma motivação, convicção e com melhores resultados”, diz, sublinhando que a durabilidade se deve ao facto do que “é o escutismo em si, a mensagem se transmite, o que representa para os jovens. É um fator de distinção, algo que não é substituível ainda que haja muita oferta de atividades”, diz.

Ano repleto de atividades
No âmbito do cinquentenário, o Agrupamento 221 tem realizado um conjunto de atividades de relevo ao longo do último ano. Casos de uma atividade para Caminheiros, realizada em outubro; a atividade Luz da Paz de Belém (Natal) envolvendo escolas, associações, catequeses e colégios do concelho. Agora, a inauguração e os 50 anos de existência serão tratados com alguma solenidade, no próximo dia 3. Segue-se a celebração do S.Jorge (padroeiro dos Escuteiros), a 24 de abril. Uma atividade que envolve todos os Agrupamentos da diocese. Serão cerca de dois mil participantes em atividades na zona do Complexo Desportivo, seguindo-se um desfile, durante a tarde, terminando na zona do Vale Santo (anfiteatro) onde será realizada uma eucaristia e sessão solene. O “Dia do 221” celebra-se em maio, por forma a congregar todo o efetivo do Agrupamento desde o início até ao momento atual, numa grande festa, mas também a recuperação das “Alfelinas” em junho, uma tradição antiga da povoação de Alféloas. “A recuperação desta tradição será uma forma de agradecer à população a forma como nos recebeu. Será um convívio, à volta de um pernil no espeto”.
Catarina Cerca