Cerca de 80 bicicletas antigas, desde finais do séc. XIX até à década de 40 do séc. XX, desfilaram, no domingo, pelas ruas da União de Freguesias de Bustos, Troviscal e Mamarrosa. Pelo segundo ano consecutivo, o Relíquias Clube da Bairrada, que visa defender o colecionismo e neste acontecimento em particular, a bicicleta antiga, levou a cabo um evento “inédito no país”, como ressalva o seu responsável, Vítor Ferreira. “Só temos aqui exemplares até 1940, o que torna esta iniciativa única a nível nacional”.
Os participantes (perto de uma centena), trajados a rigor e à época, vieram um pouco de todo o país, desde a margem sul de Lisboa até Viana do Castelo. A bicicleta mais antiga datava de 1892 e pertence a António Vilar. “É uma Dürkopp [alemã] e foi do exército prussiano. Quando eu ia para o Algarve, parava sempre em Ourique e foi lá que a comprei, em 1975, por 100 escudos.” António Vilar começou a restaurá-la em 1976 e terminou em 2000. “Tenho várias bicicletas, de família – a do meu avô, de 1898; a do meu pai, de 1933; a minha que é de 1954; a do meu irmão, de 1956; e a da minha mulher, de 1948. Para além, disso, sou um grande colecionador de automóveis antigos, com mais de 100 anos. Os automóveis mais antigos do país são os meus e os que estão no Museu do Caramulo”, contou ao JB.

Trabalho e dedicação. De Esposende, veio um grupo de 30 elementos, mais 10 do que no ano passado. “A minha amizade com o Vítor já vem de há longos anos e, como ele sabe que temos boas máquinas no Minho, convida-nos sempre”, disse Carlos Amaro, também ele organizador de um evento único em Portugal. “Isto dá muito trabalho. Eu organizo um evento em Esposende, mas noturno. No ano passado, na 3.ª edição, tivémos 450 participantes. Dou os meus parabéns ao Vítor, porque com bicicletas selecionadas e com trajes à época, esta iniciativa torna-se também ela única no país.”
Admirado com a dimensão deste evento numa “terra pequena como esta”, Albino Amorim, de Viana do Castelo, confessou ser estreante nas andanças de bicicletas, mas não das duas rodas. “Participo em eventos ligados a motas desde 1988.” Para o desfile de domingo, trouxe uma Adler, de 1908. “É alemã, arranjei-a através de um emigrante”, adiantou. Enquanto compunha a boina e se preparava para o início do passeio, considerou a iniciativa “surpreendente”: “não esperava que fosse possível juntar numa terra destas um património deste género”.
E, de facto, isso só se consegue com muita dedicação e amor ao colecionismo. Vítor Ferreira afirmou mesmo ao JB que, mal terminou o primeiro desfile, começou logo a trabalhar para o segundo. “Está aqui um ano de trabalho”, disse, deixando alguns agradecimentos a quem ajudou nas despesas e na logística, nomedamente a Junta da União de Freguesias. O presidente Duarte Novo também participou no desfile e mostrou-se honrado por este acontecer na sua terra. “Acho que é um evento muito importante, que ajuda a preservar a nossa identidade histórica.”
O desfile começou na Mamarrosa (junto ao IEC), em direção ao Parque da Vila de Bustos, onde foi tomado o pequeno-almoço. Seguiu-se uma visita ao “museu automóvel” de Fernando Luzio. Os participantes foram depois até ao Parque dos Liberais, no Troviscal, onde tiraram uma foto de grupo. Houve, depois, uma visita às Caves de Fernando Martins, onde decorreu o almoço. Repostas as energias, o desfile continuou em direção ao salão das Obras Sociais, na Mamarrosa, onde o Rancho S. Simão atuou para os visitantes.
Oriana Pataco