Fotografia: COF

Não deixou dúvidas para ninguém a vitória de Vicente Garcia de Mateos, na 38.ª edição do Grande Prémio ABIMOTA. O corredor espanhol conquistou a liderança logo na primeira de quatro etapas, na chegada a Belmonte, e o mais de minuto de vantagem que ganhou à concorrência, foi suficiente para chegar a Águeda de amarelo e inscrever pela primeira vez o seu nome na lista dos vencedores, de uma edição que cumpriu 40 anos de história do Grande Prémio ABIMOTA.
Nas contas finais da competição marcada pelo sufocante calor que se fez sentir, Vicente de Mateos terminou no topo da geral individual, com uma vantagem de 1m18s sobre Filipe Cardoso (vencedor do ano passado), da Rádio Popular/Boavista) e de 1m21s sobre César Fonte (LA Alumínios) que o acompanharam no pódio. O espanhol de Manzanares conquistou ainda a camisola dos pontos.
Guillaume Almeida (LA Alumínios) conquistou a montanha, Angel Rebollido (W52-FC Porto), ganhou as metas volantes, o seu colega de equipa Joaquim Silva venceu a classificação autarquias e Hugo Nunes (Miranda/Mortágua) foi o melhor jovem e melhor corredor das equipas de clube.
A Efapel ganhou a classificação por equipas.
Etapas. Num pelotão de 109 corredores e 14 equipas (ACDC Trofa desistiu à última da hora), o maior obstáculo dos ciclistas foi as altas temperaturas (mais de 40 graus) que se fizeram sentir ao longo dos 640kms divididos por quatro etapas.
Na primeira, de Proença-a-Nova a Belmonte, na distância de 147,5kms, foi uma etapa de loucos, o que levou à desistência de 21 corredores e de mais oito por chegarem fora de controlo.
Depois de várias tentativas na cabeça do pelotão, aos 30kms um grupo de 16 corredores encetou uma fuga, onde estava Vicente de Mateos que, à saída de Castelo Branco, ficou na companhia de Luís Fernandes (Sporting/Tavira), Joaquim Silva (W52-FC Porto) e José Neves (Liberty Seguros), que chegaram a ter uma vantagem de cerca de cinco minutos para o pelotão.
A dois quilómetros da meta, Luís Fernandes ainda resistia, mas Vicente de Mateos, numa demonstração de força e de categoria, disparou para a vitória final, numa chegada ao Castelo de Belmonte, com a meta a coincidir com uma contagem de montanha de 3.ª categoria.
A bilhante cavalgada solitária de Vicente de Mateos valeu-lhe uma vantagem de 1m16s para o mais próximo concorrente, que acabaria por ser decisiva nas contas finais do 38.º Grande Prémio ABIMOTA.
Se na primeira ganhou um espanhol, na segunda etapa, que ligou Penamacor a Sabugal, na distância de 144,5ks, outro ciclista do país vizinho venceu, Angel Rebollido, da W52-FC Porto.
A etapa foi dominada por uma fuga de cinco corredores a partir dos 35 quilómetros: Egor Sillin (Rádio Popular-Boavista), Henrique Casimiro e Sérgio Paulinho (Efapel), Hugo Sancho (LA Alumínios) e Angel Rebollido (W52-FC Porto). Nos últimos quilómetros, Henrique Casimiro e Angel Rebollido uniram esforços em novo ataque com o intuito de discutir a etapa e chegar à camisola amarela, acabando o triunfo por sorrir ao segundo.
A terceira etapa, que ligou Almeida a Manteigas, na distância de 171,2kms, de novo marcada pelo intenso calor, teve como vencedor César Fonte (LA Alumínios).
Um grupo de cinco ciclistas iniciou uma fuga que se manteve firme até aos últimos quilómetros, acabando a etapa por ser discutida no quilómetro final, entre o espanhol Jesus Del Pino (Efapel) e César Fonte, com o português a ser mais forte no sprint final. Vicente de Mateos acabou em 2.º lugar e reforçou o comando da geral individual para 1m18s.
A última etapa, entre Gouveia e Águeda, tal como se

previa, acabou por ser de consagração para Vicente de Mateos, cuja vitória na tirada foi para Fábio Silvestre (Sporting/Tavira).
Para além das temperaturas elevadas, outro dado agravou os ciclistas pelo ar sufocante que se respirava no seguimento dos incêndios que deflagravam pelo país. Apesar de teoricamente mais fácil (apenas tinha uma meta de montanha de terceira categoria), a etapa foi endurecida pelo esforço dos homens da Rádio Popular/Boavista, que tentaram partir o pelotão, e onde houve várias tentativas de fuga. Apesar de tudo isso, a tirada decidiu-se ao sprint com Fábio Silvestre a ser o mais rápido na chegada à Avenida 25 de Abril, com a presença de muito público.
Reações. “Foi muito difícil controlar as quatro etapas, as equipas atacaram, mas no final a Louletano-Hospital de Loulé e eu conseguimos defender a camisola”, disse Vicente de Mateos, que chegou forte e confiante ao Grande Prémio ABIMOTA.
Outro ciclista em destaque foi Hugo Nunes (Miranda/Mortágua), sendo o melhor Sub-23 e arrecadou ainda a camisola da juventude, o que o deixou muito satisfeito: “Já ganhei a Juventude em 2015 aqui, no ABIMOTA, e agora estou a repetir este ano. Desta vez tem um sabor especial, porque é o meu terceiro ano Sub-23 e convém ganhar corridas na minha classe”, confidenciou. “O meu objetivo era só a camisola branca, mas a vermelha veio e ainda bem. Estou muito confiante e para os objetivos que aí vêm, o Nacional e a Volta, estas conquistas só me motivam”.
Como balanço, o diretor da prova, Vital Almeida, disse que foi positivo: “Depois do que se passou na primeira etapa, as outras três podiam tomar outro rumo, mas Vicente de Mateos, com a vantagem de mais de um minuto alcançada em Belmonte, num final de etapa espetacular, provou que era mais forte. Muitos pensavam que já não haveria competitividade, mas isso não aconteceu, pois houve fugas intensas, algumas com mais de quatro minutos e, no final, venceu o melhor.”
Vital Almeida referiu que a primeira etapa “foi uma surpresa para os corredores. O calor veio complicar, mas Vicente de Mateos provou que é um dos mais fortes do pelotão nacional”.
Terminado este Grande Prémio, já se pensa no próximo. O feriado e o calendário federativo poderão ditar se a competição terá 3 ou 4 etapas. “Não depende de nós e não está fora de hipótese os 4 dias, quem sabe até uma etapa à noite, desde que haja condições logísticas para isso. Vamos tentar inovar um bocadinho, estamos em ano de eleições, o panorama autárquico mudará e a organização do Grande Prémio terá de pensar noutros parceiros”, concluiu Vital Almeida.
Já o presidente da Direção, João Miranda, também se mostrou muito satisfeito no final de mais uma edição do Grande Prémio ABIMOTA: “Correu tudo como esperado, com mais adesão do público e uma maior divulgação na comunicação social, o que nos permitiu chegar a mais pessoas. Para o ano vamos tentar fazer crescer ainda mais a prova, dando-lhe maior relevância no nosso país”.
Classificações. Geral individual: 1.º, Vicente de Mateos (Louletano – Hospital Loulé) – 15:37:29. 2.º, Filipe Cardoso (Rádio Popular/Boavista) – a 1:18. 3.º, César Fonte (LA Alumínios) – a 1:21. 4.º, João Rodrigues (W52 – FC Porto) – a 1:26. 5.º, Jesus Del Pino (Efapel) – a 1:39. 6.º, Frederico Figueiredo (Sporting/Tavira) – a 1:46. 7.º, Hugo Nunes (Miranda/Mortágua) – a 2:41.
Geral por equipas: 1.ª, Efapel – 46:59:16h. 2.ª, W52-FC Porto – a 6:59. 3.ª, Rádio Popular – Boavista – a 8:23. 4.ª, Louletano – Hospital Loulé – a 15:14. 5.º, Sporting/Tavira – a 17:22. 7.ª, Miranda/Mortágua – a 19:18.
Pontos: 1.º, Vicente de Mateos (Louletano – Hospital Loulé) – 65 pontos. 2.º,  César Fonte (LA Alumínios) – 63. 3.º, João Rodrigues (W52-FC Porto) – 52).
Montanha: 1.º, Guillaume Almeida (LA Alumínios) – 12 pontos. 2.º, Vicente de Mateos (Louletano – Hospital Loulé) – 10. 3.º, João Rodrigues (W52-FC Porto) – 6.
Metas volantes: 1.º, Angel Rebollido (W52-FC Porto) – 10 pontos). 2.º, Daniel Freitas (W52-FC Porto) – 8. 3.º, João Rodrigues (W52-FC Porto) – 5.
Autarquias: 1.º, Joaquim Silva (W52-FC Porto). 2.º, Vicente de Mateos (Louletano – Hospital Loulé). 3.º, Guillaume Almeida (LA Alumínios).
Juventude: 1.º, Hugo Nunes (Miranda/Mortágua). 2.º, Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros). 3.º, Paulo Silva (Sicasal).
Melhor corredor de equipa – clube: 1.º, Hugo Nunes (Miranda/Mortágua). 2.º, Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros). 3.º, Paulo Silva (Sicasal).
Metas Bolinhas. Domingos Gonçalves (Rádio Popular/Boavista).
Manuel Zappa
com Luís Ferreira