Paulo Martins, vereador eleito pelo PSD nas últimas autárquicas, apresentou a renúncia ao mandato depois de ter sido convidado pelo líder do Executivo, Duarte Novo, para assumir o cargo de secretário da vereação, acumulando essas funções com as de vereador, confirmou o próprio ao JB, adiantando que para além do pedido de renúncia, apresentou igualmente, enquanto colaborador, um pedido de licença sem vencimento à autarquia, preferindo, no entanto, não tecer quaisquer comentários sobre o assunto.
Esta situação, denunciada pela concelhia do PSD, dá conta que Paulo Martins e Susana Martins (PSD) teriam sido abordados, respetivamente, pelo presidente da Câmara e pelo vice-presidente, Jorge Pato. “Na prática, o Executivo Municipal e, particularmente o seu presidente, propuseram, a um e depois da recusa do primeiro, a um segundo, vereador do PSD, que durante seis dias da semana exercessem funções de secretário dos vereadores do CDS-PP eleitos e que (…) na reunião do órgão Câmara Municipal estes mesmos exercessem funções para as quais foram eleitos de vereadores da oposição do PPD/PSD”, denuncia um comunicado da concelhia, concluindo que tal convite “envolve uma clara e inequívoca tentativa de, no mínimo, condicionar a palavra e o voto de um vereador da oposição, ao colocá-lo simultaneamente do lado da posição (enquanto eventual funcionário, portanto leal e solidário com a sua entidade patronal) e, por outro lado, da oposição enquanto vereadores eleitos na lista de um partido que não o da posição”.
O PSD classifica o assunto como “conduta política moral e eticamente reprovável e mesmo contrária a todos os valores da democracia”, apontando o dedo também à vereadora Lília Ana Águas e ao presidente da concelhia do CDS-PP e Chefe do Gabinete de Apoio à Presidência, André Chambel, como autores de “uma tentativa vergonhosa e desesperada de comprar apenas um dos vereadores eleitos do PPD/PSD”.
A concelhia social-democrata conclui que é “vergonhoso e inaceitável o recurso a este tipo de expedientes políticos muito pouco sérios e ainda menos éticos”.
Até ao fecho desta edição, apesar de várias tentatativas, não conseguimos registar uma reação da vereadora Susana Martins.
Reagindo às acusações do PSD, o chefe de gabinete do presidente da Câmara, André Chambel, comentou que o objetivo dos membros do Executivo é “servir o concelho” neste mandato que “pressupõe uma série de prioridades e propósitos” e afirma que entende o presidente da Câmara que “todos os contributos dos que estiverem dispostos a colaborar e a contribuir de forma responsável e empenhada para um melhor concelho, serão sempre valorizados”.
“Não move este Executivo, qualquer questiúncula político-partidária que assim tolde a visão do que deve ser a atuação da gestão do bem público. Prova desse entendimento e conduta é a decisão de manter em funções no Município todos os que ocupavam cargos de nomeação direta do anterior executivo, liderado pelo PSD”, argumenta Chambel, concluindo que “o PSD perdeu as eleições de outubro” e “as questões internas do PSD nada dizem respeito ao Executivo”.
João Paulo Teles