Define-se como um “autodidata” e dá vida a belíssimas máscaras do consagrado Carnaval de Veneza. Natural e residente em São Lourenço do Bairro, no concelho de Anadia, Joel Fagundo tem 31 anos e, em 2013, descobriu, durante uma viagem a Itália e mais concretamente à cidade de Veneza, aquela que se tornou a sua maior paixão.

Das suas talentosas mãos já nasceram cerca de duas dezenas de máscaras de Carnaval de Veneza que vão – a partir do dia 9 de fevereiro – estar em exposição na Biblioteca Municipal de Anadia.

Revela que foi a Veneza, quase por acidente, para ver o trabalho “Trafaria Praia”, de Joana Vasconcelos. Apaixonou-se de imediato pela cidade, pela sua arquitetura, estilo de vida, arte, costumes, enfim, por uma cultura que diz ser “única”.

Curioso e atento a tudo o que o rodeia e porque sempre gostou de desenhar e pintar – a arte corre-lhe nas veias -, de imediato se sentiu atraído pelos ateliês e workshops sobre a arte das máscaras de Veneza. O trabalho realizado por mestres artesãos não lhe saiu mais da cabeça. E ainda por Itália só já pensava em regressar a casa e experimentar realizar máscaras semelhantes às que vira: “foi ali que descobri uma capacidade ou talento que não sabia ter”, diz-nos timidamente.

“Mal cheguei reuni o que necessitava e dei asas à imaginação”, admitiu, revelando (para surpresa de muitos de nós) que estas máscaras tradicionais de Veneza não são feitas de porcelana, mas sim em papel, ainda que existam, em menor número e de pequeno formato, algumas em porcelana: “as de porcelana não costumam ser utilizadas no rosto porque são frias, pesadas e muito frágeis.”

“As máscaras sempre foram uma forma de me distrair. Por isso, a ideia desta exposição foi uma surpresa para mim, assim como as reações, muito positivas, que já comecei a receber em relação ao meu trabalho”, diz, avançando que ainda que se uns dos materiais que utiliza são mais acessíveis, outros há bem mais caros, como são os casos das folhas de ouro, pedras acrílicas, tecidos e veludos bordados ou fitas em ceda. “Um quilo de penas chega a custar 500 euros”, diz, justificando que a decoração das máscaras para além do trabalho e gozo que dá, é o que as encarece.

Esta será a primeira vez que mostra ao mundo o seu trabalho: “as minhas máscaras nunca saíram aqui de casa”, admite, destacando que só após a exposição e a mostra ao público do trabalho poderá decidir se vai avançar para um outro patamar, o da comercialização das suas peças.

Mas para apreciar melhor estes trabalhos, passe pela Biblioteca Municipal de Anadia, de 9 de fevereiro a 10 de março, pois esta é uma daquelas exposições a não perder.

Leia a reportagem completa na edição de 1 de fevereiro de 2018 do Jornal da Bairrada

Catarina Cerca