Volvidos os primeiros 120 dias de mandato autárquico, o fosso que separa a oposição do poder continua bem fundo. Se por um lado se vai defendendo nas bancadas daquele órgão que é muito mais o que une as forças partidárias do que aquilo que as separa, o certo é que a última sessão, na passada segunda-feira, reiterou a tendência contrária, a começar por quatro longas horas de debate no período antes da ordem do dia e da análise à atividade municipal.
Os assuntos da noite, naqueles dois momentos, acabaram por ser os repetentes IPSB, a saúde financeira e a criticada falta de ousadia do executivo para o investimento, onde a cultura – e o Quartel das Artes e o Carnaval, em particular – foi a rainha da discussão.
Armando Humberto (UPOB) deu o mote para a discussão e reportou-se a dados do INE para mostrar que em 2016 o Município  gastou, em cultura, 54,90 euros por habitante quando a média dos concelhos vizinhos ronda os 30 euros, acontecendo o mesmo no desporto, com Oliveira do Bairro a gastar por habitante 51,20 euros, quando a média da região é de 25 euros. É certo que são números relativos ao anterior mandato mas para aquele deputado  “aquilo que temos visto deste Executivo é mais do mesmo, é o aumento da despesa com pessoal, são novas festas, é a mesma ausência completa de estratégia”.
Acácio Oliveira (UPOB) aproveitou o arranque dos trabalhos para mostrar “frustração” perante a ação do atual Executivo, que “mais parece a continuação do Executivo gasto de Mário João”.
Em seguida, André Chambel (CDS) pediu cautela para os números apresentados por Armando Humberto, frisando que “é preciso balizar para ver o que são efetivamente custos da cultura”, até porque “a Expobairrada não é cultura mas entra nas despesas de cultura”. E defendeu que  a aposta do Município passa por atrair turismo através da cultura , como foi o Natal e o Carnaval, “bem diferentes, agora”.
Miguel Oliveira (CDS) defendeu a necessidade de aproveitar o turismo como fator de desenvolvimento económico, acusando que “Oliveira do Bairro não tem potenciado nenhum tipo de turismo”, daí que “está na hora de valorizar este aspeto económico”, sugerindo a criação de um centro interpretativo de olaria e grés com base na antiga Cerâmica Rocha e nos Barreiros de Bustos.
Em resposta, o vice-presidente da Câmara, Jorge Pato, destacou perante as chamadas de atenção que  “o Executivo está a cumprir o que anunciou”, disse entender a “frustração de Acácio Oliveira “porque este é o nosso orçamento, é o nosso programa” e terminou com a promessa de que “daqui a algum tempo, creio, as pessoas já reconhecerão o nosso trabalho”. 

 

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