Oriana Pataco
Diretora do Jornal da Bairrada

2018 foi definitivamente um ano marcado por greves e em setores chave da sociedade: Educação, Saúde e Justiça.
Aumentos salariais, descongelamentos/revisões nas carreiras, contratação de mais profissionais, os motivos para uma quase paralisação do país no último trimestre do ano são variados e, acredito, sempre (ou quase sempre) válidos. O direito à greve, consagrado na Constituição da República Portuguesa, é um direito de todos os trabalhadores. Apesar disso, e não pondo em causa os seus argumentos e a sua luta, devo dizer que me choca saber que a greve dos enfermeiros terá adiado cerca de 10 mil cirurgias (números da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros). Durante mais de um mês, as greves sucederam-se e levaram a uma verdadeira convulsão no setor da saúde. Quando está em causa a vida de outros, confesso que me custa mais a aceitar. Mas quando a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros garante que os enfermeiros dos blocos operatórios estão a trabalhar em exaustão e que há muito tempo há pessoas a morrer por incumprimento do número mínimo de enfermeiros, isso obriga-nos, de facto, a uma reflexão profunda.
Com o aproximar das eleições legislativas, o mais natural é que aumente a contestação social e, por consequência, a intensificação das greves, nomeadamente dos enfermeiros, professores e da função pública em geral.
Mas… um ano de eleições também é, regra geral, um ano de diálogo e de conciliação, pelo que, principalmente no que concerne à luta dos professores, a equação 2 (anos), 9 (meses), 18 (dias) deverá aproximar-se definitivamente da de 9/4/2.
Os portugueses serão então chamados às urnas no dia 6 de outubro, para escolher um novo governo. Vai ser interessante perceber o posicionamento dos aliados da “geringonça”, BE e PCP. Vão querer descolar do PS e marcar a sua posição ou, pelo contrário, continuar com uma política que lhes permita uma aproximação do poder? Isto se, como indicam as sondagens, o PS de António Costa se mantiver na frente da corrida. Mas ainda há muita campanha pela frente.
Antes ainda, há eleições para o Parlamento Europeu (26 de maio). 2019 é também um ano marcado por eleições intercalares na Bairrada: em Águeda, as eleições na União de Freguesias de Travassô e Óis da Ribeira (cuja Assembleia de Freguesia está num impasse desde as últimas autárquicas) realizam-se a 24 de fevereiro.
Janeiro de 2019 é ainda um mês decisivo para a candidatura de Anadia a Cidade Europeia do Desporto. No próximo dia 14, saberemos se Anadia conquistou este estatuto, o que seria, sem dúvida, um marco importante para a nossa região.