O presidente da Câmara da Mealhada manifestou-se contra a intenção da Sociedade Central de Cervejas (SCC) de proceder à fusão de todas as empresas do grupo numa sociedade única. Segundo o autarca, ao concretizar-se, levará ao desaparecimento da Sociedade de Água de Luso (SAL), empresa criada, na vila termal do Luso, em 1852.

Rui Marqueiro, que falava aos jornalistas, esta terça-feira, acompanhado pela presidente da Assembleia Municipal, o vice-presidente da Câmara, os dois vereadores com pelouros e os presidentes das Juntas e Assembleias de Freguesia de Luso e da Vacariça, garantiu que irá preparar uma carta, a ser subscrita pelos eleitos locais e pela população, a apelar à Administração da SCC para não concretizar a fusão.

“A SCC deu-nos a conhecer a sua intenção de avançar com uma fusão de todas as empresas do grupo numa sociedade única, o que representa o desaparecimento da SAL. Este desaparecimento é algo que magoa o município, os habitantes e a história do Luso. O Luso não seria o que é hoje se não existisse SAL. Por isso, queremos pedir, com toda a humildade: deixem a SAL fora desta fusão!  A SAL é uma empresa emblemática, histórica e não se pode pôr fim, assim, a uma história de 168 anos”,  referiu.

Rui Marqueiro relembra que, “quando foi necessário”, a autarquia esteve ao lado da SAL, mesmo assumindo prejuízos para o município. “Nos primeiros anos de 2000 foi necessária uma grande operação de modernização da SAL, que implicou a deslocalização do engarrafamento do Luso para a Vacariça e a Câmara apoiou esta decisão, difícil, e com prejuízos para a vila do Luso. Mas tratava-se de salvar a empresa e fazer com que fosse competitiva”, sublinha. “Sabemos que felizmente não estão em causa os postos de trabalho, nem a normal laboração da fábrica (…), mas não posso aceitar que se ‘mate’ a SAL e que a água que nasce no concelho da Mealhada passe a ser explorada por uma empresa ‘estranha’ ao nosso concelho. Para mim, isso está fora de questão”, concluiu.