A presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, contesta o número de infetados (17) com Covid-19 no concelho, surto que, de acordo com a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), iniciou-se a 25 de agosto, está ativo em três freguesias – Portunhos e Outil; Ançã; e Cantanhede e Pocariça – e teve origem em convívios familiares e sociais.

O comunicado da ARSC, conhecido ontem, segunda-feira, revela que o surto do novo coronavírus em Cantanhede surgiu há cerca de duas semanas e “neste momento, é constituído por dois ‘clusters’ [grupos]”, estando em isolamento profilático 62 “contactos de risco” dos 17 infetados. “Geograficamente, expande-se pela União de Freguesias de Portunhos e Outil, freguesia de Ançã e União das Freguesias de Cantanhede e Pocariça. O início e os contextos de ambos os clusters inserem-se, fundamentalmente, em convívios familiares e sociais”, adianta a entidade regional de saúde.

Helena Teodósio, para além de estranhar a divulgação dos números de Cantanhede pela autoridade regional de saúde, quando “não o fez noutras situações” no distrito de Coimbra desde o início da pandemia, contesta-os, assegurando que os casos reportam “não a três mas a seis freguesias” do concelho, alguns sem relação com convívios familiares e incluem dados de pessoas, algumas delas “não residentes no município, e que são de Coimbra, de Anadia ou de Mealhada”, salientou a autarca, em declarações ao JB.

A presidente da Câmara estranha ainda que a informação daquela autoridade de saúde surja na mesma altura em que dois partidos políticos, o PS e o Chega, tenham feito comunicados associando o surto a festas privadas. O Chega garante que “o foco teve origem numa festa de aniversário que juntou mais de 40 pessoas, onde esteve presente o presidente da união de freguesias de Outil e Portunhos e também 3 funcionárias da Fundação Ferreira Freire, em Portunhos”, alertando ser “de uma irresponsabilidade brutal a atitude destas pessoas [que testaram positivo], que além de estarem infetadas podem e poderão ter infetado outras pessoas”. O comunicado do Chega afirma mesmo que “é crime os responsáveis pela Proteção Civil de Cantanhede nada informarem, e a Câmara Municipal muito menos”.

Helena Teodósio questiona o comunicado e a fonte de informação. “Que fonte é essa? Por que lhes chegou essa informação e não à Câmara Municipal? Para criar alarmismos? Alguma coisa neste processo parece errada, não há transparência nem houve respeito institucional para com o município de Cantanhede”, lamenta Helena Teodósio.

Relativamente à Fundação Ferreira Freire, IPSS com lar de idosos da freguesia de Portunhos, onde a ARSC diz ter sido identificada, no que respeita aos casos ativos, uma “relação profissional”, não avançando porém quantos casos positivos ali existem, Helena Teodósio esclareceu ao JB que “a situação está controlada”. A autarca confirma que foram feitos “cerca de 200 testes com zaragatoa” e classificou a situação como “prioritária para a autarquia”, tendo em conta a dimensão daquela IPSS, com 120 utentes e 85 funcionários.

Oriana Pataco

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