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Anadia // Educação // Sociedade  

A Escola Básica e Secundária de Anadia é a melhor escola pública do país

A Secundária de Anadia subiu 57 posições num ano. O diretor Aníbal Marques explica como a união da comunidade e as redes de apoio contínuo aos alunos garantiram a liderança no ranking.

A Escola Básica e Secundária de Anadia é a melhor escola pública de Portugal no ranking dos exames nacionais elaborado pelo jornal Expresso (alcançando o 2.º lugar na lista do Público).

O salto impressionante de 57 posições num só ano é sustentado por uma recente avaliação externa da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), que atribuiu a classificação máxima de “Muito Bom” aos quatro domínios de análise: Autoavaliação, Liderança e Gestão, Prestação do Serviço Educativo e Resultados.

Para Aníbal Marques, diretor do Agrupamento de Escolas de Anadia (AEA), o segredo não está numa fórmula mágica, mas na força da comunidade. Em declarações ao JB, o responsável sublinha que a base deste sucesso é o esforço conjunto e uma intervenção estrutural que não se foca apenas na reta final dos exames, começando logo na Educação Pré-Escolar e prolongando-se até ao 12.º ano.

Uma escola de todos e para todos

Numa altura em que os lugares cimeiros dos rankings são dominados por colégios privados, o líder do agrupamento faz questão de lembrar a especificidade e a missão do ensino público.

“Nós, enquanto Escola Pública, recebemos todos os alunos sem exceção”, garante Aníbal Marques. Os números ilustram a dimensão do desafio: o AEA acolhe cerca de 4000 alunos espalhados por 19 escolas, incluindo 604 alunos migrantes de 35 nacionalidades diferentes e 250 alunos com necessidades específicas. A escola integra ainda um Centro Qualifica para a formação de adultos e um Centro Tecnológico Especializado na área da Informática, fruto do maior investimento do país nesta área, orçado em mais de 1 milhão de euros.

“O nosso Projeto Educativo, com um cariz humanista, é agregador e mobiliza toda a Comunidade”, explica o diretor, rejeitando individualismos. “O importante não é o ‘Eu’ mas o ‘Nós’: sentir que a Comunidade reconhece o trabalho desenvolvido é sempre um motivo acrescido de orgulho.”

Segundo o diretor Aníbal Marques, o sucesso passa por começar “desde cedo a envolver os alunos”, dotando-os com as “ferramentas necessárias” para o sucesso, como a Oficina Digital logo no 3.º e 4.º anos.

A base de toda esta rede de apoio é o Centro de Apoio à Aprendizagem (CAA), que o responsável define como “uma estrutura de apoio agregadora dos recursos humanos e materiais”. Este espaço multidisciplinar abriga valências como cozinhas pedagógicas e salas multissensoriais. O cuidado contínuo estende-se ao programa de Ocupação Plena dos Tempos Escolares (OPTE) e a pormenores práticos do dia a dia: “Mantemos a Biblioteca aberta, para além das 17 horas, porque há alunos que ficam à espera de os virem buscar”, conclui.

Um apelo à empatia

Aníbal Marques deixa uma mensagem clara aos encarregados de educação e a toda a comunidade escolar, apelando à união face às adversidades diárias.

“É imperioso confiar e respeitar os profissionais que, todos os dias, dão o seu melhor em prol dos alunos. Tem de se perceber que estamos ‘uns com os outros’ e não ‘uns contra os outros’. Devemos falar ‘uns com os outros’ e não ‘uns dos outros’ – assim fica mais fácil o relacionamento interpessoal.”

Para a direção, o 1.º lugar no ranking e o “Muito Bom” da IGEC não são os objetivos finais, mas sim os reflexos de um trabalho maior: “Ajudar a construir cidadãos livres, proativos, conscientes, com capacidade de intervenção, espírito crítico e reflexão.”