O 25 de Abril não nasceu numa estufa. Nasceu na rua, nos quartéis, nas rádios que tocaram senhas combinadas. E o que poucos contam é que o cravo português floriu muito além das fronteiras.
Até 1974, a Europa parecia conformada com as suas ditaduras. A Grécia vivia sob os coronéis. Espanha definhava com Franco, doente e ainda assim temido. Mas bastou Portugal lembrar-se de que podia ser livre para que o continente acordasse. Em julho desse ano, os gregos derrubaram a junta militar. Em 1975, com Franco morto, Espanha ensaiou os primeiros passos na transição. Coincidência? Talvez não.
Mais longe, na América Latina, onde as ditaduras apertavam o cerco, a Revolução dos Cravos provou que as Forças Armadas podiam ser a chave da liberdade, não apenas da opressão. O efeito dominó foi real. Uma canção, “Grândola, Vila Morena”, atravessou oceanos e tornou-se hino de resistência.
Meio século depois, o que fica? Que a liberdade não é um vício de fabrico português. É um contágio. E como todos os contágios, precisa de quem o mantenha vivo.
Há quem hoje sinta saudades do tempo em que se pedia licença para falar. Abril responde: o silêncio nunca foi solução.
