Se há coisa que se vê à légua, é que a maioria dos munícipes do concelho, tal como a maioria dos portugueses ignora adora as comemorações do 25 de Abril.
É, sem dúvida, uma data que os oliveirenses portugueses registam sempre na sua agenda, principalmente pela originalidade que as comemorações têm ano após ano, já que os programas das sessões solenes são uma autêntica treta e nunca se repetem, e com um nível cada vez pior melhor em cada ano que passa.
Só é pena que não seja sempre à segunda-feira ou à sexta-feira, pois havia mais tempo para desfrutar o fim de semana prolongado as comemorações.
Em Oliveira do Bairro a organização do evento começa a ter no local um problema sério e preocupante para resolver, pois o Quartel das Artes está sempre às moscas a abarrotar, principalmente de jovens que, emocionados preferem uma ida à praia, sempre que o tempo dá tiram muitas fotografias para mais tarde recordarem tal seca aventura.
É bem verdade que não estamos na capital, onde se repete até à náusea o desfile de fervorosos abrilistas, de punho fechado bem erguido, ao som do Vitorino ou do Sérgio Godinho, pela Avenida da Liberdade abaixo, umas vezes com um cravo ao peito e gritando «25 de Abril sempre, fascismo nunca mais» e outras vezes, para inovarem, com um cravo na mão e gritando «fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre».
Então, e os discursos que se fazem? Isso é que é lindo e de escutar com atenção.
A nível nacional dá gosto ouvir o camarada Vasco Gonçalves Lourenço a falar dos valores da esquerda revolução, mas a minha preferência vai para uns indivíduos que ninguém sabe quem são mas que por ocasionalmente terem tocado no braço em Salgueiro Maia, aparecem em pequenas sessões a que ninguém assiste, a falar da sua experiência revolucionária e a avisar dos perigos que são para os valores de Abril e para os trabalhadores, uns fulanos que andam para aí a dar emprego a milhares de pessoas no país, com a mania que são bons o neo-liberalismo, a união europeia, o capitalismo, e os senhores da alta finança.
Por cá, e como em todo o lado, a malta fica em casa a ressonar aparece sempre muita gente que diz invariavelmente que a sessão da assembleia municipal é uma verdadeira estopada uma solenidade imperdível que em cada ano é pior que a do ano anterior, uma autêntica lição de fervor democrático onde já ninguém dá nada para esse peditório que é andar de cravo vermelho todos ostentam garbosamente um cravo vermelho na lapela, um gesto que é sempre bem visto e que permite que as fotografias registem para a posteridade essa demonstração de arreigado e vigoroso espírito revolucionário democrático.
Quanto às opções estéticas estilísticas de certas algumas figuras de proa da política concelhia, o que pode dizer-se é que são bastante poucos os que compreendem a necessidade que estas personalidades têm de se identificar como candidatos a um casting para uma próxima edição de «O Padrinho» exibir ao mais alto nível, assumindo ares frescos e lavadinhos.
Mas até se compreende; se calhar passam pela sessão solene antes de ir para algum desfile de moda ou, quem sabe, uma patuscada para comemorar o feriado 25 de Abril, para poderem ser vistos e como tal considerados verdadeiros democratas e assim registarem a sua hilariante presença na comemoração de uma data que pouco ou nada lhes diz, mas que querem fazer pensar que lhes é muito grata.
Está pois mais que confirmado que os programas das comemorações do 25 de Abril são exactamente o mesmo «faz de conta» dos anteriores, melhoram de qualidade ano após ano, e aos quais a população, e de um modo especial a juventude retribui com assinalável indiferença adere sempre com uma presença massiva.
Ou seja, em Oliveira do Bairro, os políticos e os munícipes gostam mesmo das comemorações do 25 de Abril, por ser um dia de feriado diferente dos outros, nomeadamente do feriado das comemorações do ano passado, e do anterior, e do anterior a este, e assim regressivamente… até 1974.
PS: Não há que ter dúvidas e só por lapso pode haver enganos, mas desta vez… aconteceu, reconheço até que menos mais vezes do que estava à espera; escrever sobre as comemorações de mais um feriado do 25 de Abril mexe de tal maneira comigo que perco logo a lucidez. Peço desculpa por esta minha opinião ser publicada como se de um rascunho se trate, mas pelo facto de querer gozar o feriado em vez de estar presente na enfadonha sessão solene das comemorações do 25 de Abril, não tive tempo de passar o texto a limpo.
Bom feriado dia de comemorações do 25 de Abril para vocês também.
