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Bruno Santos

Professor de História

À Mesa dos Gigantes

Maio tem um dia que passa despercebido a muita gente: o 9, Dia da Europa. E, no entanto, poucas datas dizem tanto sobre o lugar de Portugal no mundo.

Na última semana, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos e a China são as “duas superpotências” mundiais. A frase passou rapidamente nas notícias, mas deixou uma pergunta importante: onde fica a Europa no meio deste novo equilíbrio mundial?

Portugal é pequeno no mapa. Cabemos três vezes e meia dentro da Ucrânia, que continua nas notícias pelas piores razões. Sozinhos, o nosso peso no mundo seria reduzido. Mas juntos, os pequenos tornam-se maiores. É isso a Europa: não apenas tratados e burocracias, mas a capacidade de países como o nosso terem voz, influência e proteção num mundo dominado por gigantes.

Hoje, com guerras às portas da Europa, tensões internacionais e extremismos a crescer, convém lembrar o essencial: nenhum país europeu consegue, sozinho, competir ou negociar de igual para igual com superpotências. Unidos, ainda conseguimos fazê-lo.

A União Europeia está longe de ser perfeita. Mas para um país que viveu décadas isolado de uma Europa democrática, ter lugar à mesa já foi um sonho. Porque, no fim, quem não se senta à mesa das decisões acaba quase sempre no menu.