Quando o preço do petróleo dispara, tudo o resto é afetado: encher o depósito do carro fica mais caro, aumentam os preços nos supermercados e as famílias sentem diretamente o impacto no seu quotidiano.
Os governos procuram mitigar os efeitos imediatos, mas a verdade é simples: se o preço do petróleo continuar a subir, será difícil evitar uma nova crise económica na Europa.
Por isso seria tão importante acabar com o conflito no Médio Oriente. Mas o Irão sabe que o tempo joga a seu favor e, por isso, dificilmente haverá uma solução rápida para sairmos do beco em que Trump nos colocou.
Durante séculos dependemos da força humana e animal, da lenha e do vento. Depois veio o carvão, que alimentou a Revolução Industrial. Mais tarde, o petróleo e o gás natural impulsionaram os transportes, a indústria e o crescimento económico do século XX. Desde a Revolução Industrial, o crescimento económico esteve sempre associado a energia abundante, fiável e relativamente barata. A prosperidade dos países mais desenvolvidos assenta na capacidade de garantir energia para alimentar fábricas, iluminar cidades, mover pessoas e sustentar infraestruturas.
A guerra na Ucrânia demonstrou como o fornecimento de gás natural pode ser usado como instrumento de pressão política e económica. A instabilidade no Médio Oriente continua a mostrar como a energia permanece no centro das tensões internacionais. A ameaça de encerramento do estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo, tem impacto imediato nos preços e alimenta receios de uma nova crise global.
No entanto, os desafios energéticos que temos pela frente poderão ser ainda maiores. O mundo caminha para uma crescente eletrificação da economia. Os automóveis elétricos substituem os motores de combustão, as bombas de calor substituem os esquentadores a gás e muitos processos industriais dependem cada vez mais de eletricidade.
No apagão ocorrido há pouco mais de um ano, percebemos bem a fragilidade da sociedade moderna perante uma falha prolongada de eletricidade: param hospitais, telecomunicações, redes de água, sistemas bancários, transportes e cadeias de abastecimento.
Ao mesmo tempo, surgem novos grandes consumidores de energia. Os centros de dados, essenciais para sustentar a economia digital, tornaram-se gigantescos consumidores elétricos. A inteligência artificial ameaça amplificar ainda mais esta tendência. Os modelos mais avançados exigem milhares de computadores a funcionar continuamente e enormes quantidades de energia.
É neste contexto que as energias renováveis assumem uma importância crescente. As energias solar, eólica e hídrica permitem reduzir emissões e diminuir dependências externas. Contudo, existe um desafio frequentemente ignorado: as renováveis são intermitentes. O sol não brilha sempre e o vento não sopra de forma constante. Por isso, para armazenar energia em grandes quantidades, temos de “pôr os rios a andar ao contrário”, bombeando água para as barragens quando existe excesso de produção elétrica.
Mas poderão as renováveis produzir toda a energia de que precisamos a um custo suficientemente baixo? Este será um dos grandes debates das próximas décadas.
O debate energético já não é apenas ambiental. É económico, tecnológico e estratégico. Num mundo cada vez mais dependente da eletricidade, controlar as redes de transporte e distribuição de energia é muito mais do que uma questão económica: é uma questão de soberania e autonomia nacional.
