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Salvador Carvalho

Estudante de Relações Internacionais na FEUC

É tempo de agir antes do fogo

Todos os anos o mesmo ciclo repete-se, incêndios, indignação e procura por culpados. Criticam-se os meios, critica-se o Governo, multiplicam-se os debates. E depois o verão passa e tudo adormece até ao próximo agosto. Há uma pergunta que raramente se faz a tempo: o que foi feito antes?

Este é um apelo aos municípios bairradinos. Não esperem pelo fogo para agir. É agora que se decide a dimensão das tragédias, não em agosto, não depois da primeira fotografia aérea de floresta queimada. É neste momento que os terrenos têm de ser limpos, a fiscalização feita e as responsabilidades exigidas. A lei e os mecanismos existem, o que falha é a vontade de os aplicar antes de haver câmaras apontadas.

A prevenção é trabalho concreto e pouco visível, não tem inauguração, não aparece nas redes sociais e por isso não dá votos. É mais fácil anunciar um festival de verão do que fiscalizar quem deixa os terrenos ao abandono, mas é ela que determina se o fogo que vier será controlável ou devastador.

Os municípios têm poder para agir e têm obrigação de o fazer. A fiscalização dos terrenos, a limpeza das faixas de gestão de combustível e a responsabilização de quem não cumpre são imperativas. O seu sucesso mede-se pelo que se consegue evitar. E esse é o tipo de trabalho que não aparece em cartaz, mas que salva-vidas.