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Sucesso da VITI está na qualidade que imprime na formação humana e profissional

A VITI – Escola de Viticultura e Enologia da Bairrada é uma referência no ensino profissional de qualidade na região da Bairrada. Em entrevista, o diretor, Adriano Aires, fala desta escola que tem vindo a crescer de forma sustentada, graças a uma gestão rigorosa, sem esquecer o empenho e dedicação do corpo docente e dos alunos que, pela primeira vez, em 21 anos, alcançaram o feito de uma taxa de aproveitamento de 100%, no 3.º ano. O futuro, diz, passa por uma maior abertura à comunidade.

Tem havido uma preocupação da EVEB (Escola de Viticultura e Enologia da Bairrada) em formar para o mercado de trabalho. Sente que a mentalidade portuguesa ainda está muito formatada para “doutores e engenheiros” ou isso já começa a mudar?
Penso que a mentalidade está a mudar acentuadamente, mesmo nos próprios jovens que já não procuram a escola como um trampolim de acesso ao ensino superior (para conseguir melhores notas), pois muitos deles vêm em busca de formação para entrar rapidamente na vida ativa.
Se esta mudança de mentalidade existe ao nível da população, não se vê sinais políticos da sedimentação deste tipo de ensino profissional. Todos os anos temos alterações. Estamos no final de junho e ainda não temos regras para o próximo ano letivo, nem candidaturas abertas, financeiras ou pedagógicas.

Essa situação pode ser desastrosa para este ensino?
Desastroso para este tipo de ensino, não. Mas desastroso para o nosso desenvolvimento é certamente. Quer queiramos, quer não, as estruturas que estão no terreno têm de programar e planificar a sua vida. E não podemos fazer um ensino de excelência se não conhecermos as regras atempadamente, nem sabermos durante quanto tempo essas regras vão existir. Isto é lamentável.

Face às atuais políticas e orientações do Ministério da Educação, o que é que perspetiva para o próximo ano letivo para as Escolas Profissionais?
A única coisa que temos é declarações de intenção. A nossa escola vai ter, no próximo ano letivo, no 1.º ano, quatro turmas de quatro cursos diferentes (gestão, restaurante/bar, cozinha/pastelaria e viticultura e enologia).
No ativo temos estes quatro cursos. Este ano tivemos 11 turmas: três turmas em restaurante/bar, outras três em cozinha/pastelaria e em gestão e duas turmas em viticultura e enologia, num total de 206 alunos. Para o ano, vamos passar a ter 12 turmas, mais uma do que este ano, porque este ano não saiu nenhuma turma de viticultura e enologia e entra uma nova turma, ou seja, saem três e entram quatro. Esperamos vir a ter cerca de 250 alunos.
Temos esperança de crescer em número de alunos porque houve o princípio da reposição, ou seja, que poderíamos abrir tantas turmas quantas saíssem. Como o curso de viticultura e enologia é especial, conseguimos a exceção de nos darem mais uma turma.

Face à exigência de passarem a ter turmas com mais alunos, a EVEB consegue “repor” o número alunos que vai saindo no final dos cursos?
Efetivamente, temos indicações de que há intenção de passar de 18 para 26 alunos como número mínimo para abrir uma turma. Nesta altura, temos indicações muito positivas de que conseguiremos abrir as quatro turmas, mesmo que se concretize os boatos que andam para aí de que os alunos dos PALOP’s vão deixar de ser subsidiados pelo POPH. Politicamente, é uma medida muito drástica e não sei se o Governo a levará até ao fim.
Os alunos dos PALOP’s representam 30% dos nossos estudantes e são provenientes de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe.

A verificar-se a tal situação de não financiamento pelo POPH, em que situação fica a EVEB?
Neste momento, temos fechado o curso de cozinha/pastelaria com 35 pré-inscrições que ultrapassam o número de alunos para uma turma. Temos o curso de restaurante/bar e de gestão mais ou menos a meio e o curso de viticultura com 12 pré-inscrições, o que já não é nada mau. Depois, temos que contar que algumas turmas não vão abrir noutras escolas porque não vão ter alunos, pelo que já nos estão a chegar alunos doutras escolas. A nossa escola está a afirmar-se e estamos a ser procurados naturalmente pelos alunos, pelo trabalho que fazemos e condições que oferecemos.
O pior dos cenários é não conseguirmos abrir uma turma, o que não acredito.

Os alunos que saem da Escola, têm normalmente emprego garantido?
A primeira fornada dos alunos do curso de cozinha está de saída, mas estão em formação em contexto de trabalho. Os do curso de restaurante/bar saíram, tiveram emprego na área ou criaram o seu próprio emprego. Do curso de gestão, a experiência que temos é de que 50% têm emprego garantido à partida, mas deste curso há uma boa percentagem que segue o ensino superior. Para os de viticultura – tivemos dois anos sem curso – temos boas garantias de empregabilidade.

O curso de Viticultura e Enologia é o mais emblemático da Escola e dá-lhe nome. Por que razão tem tão poucos alunos?
Faço questão de o manter e é a nossa bandeira. Depois, temos os cursos da restauração que são uma aposta muito forte da Escola por causa do tecido empresarial à volta. Mas o curso de viticultura é um curso muito exigente. O aluno tem matemática, química e química analítica e biologia. Um bom técnico não se forma apenas na sala de aulas, mas no terreno, nas vinhas e na adega. É preciso fazer os alunos sujarem as mãos. Depois, a taxa de aproveitamento é muito baixa (25%). Isso assusta os alunos.
Mas repare que este é o primeiro ano na escola, em 21 anos de existência, que nenhum aluno fica retido. Ou seja, tivemos uma taxa de aproveitamento de 100%, nas três turmas do 3.º ano (restaurante/bar; cozinha/pastelaria e gestão). Todos os alunos passaram. Isto não acontece por acaso, mas porque a escola cresceu e conseguiu construir um núcleo duro de professores capaz de estar aqui até que seja necessário a fazer recuperação de alunos. Temos um estudo assistido individual que se reflete depois no aproveitamento.
Só conseguimos angariar alunos se formos muito bons e tivermos muita qualidade, na formação humana e profissional.

Como está a decorrer a vossa ligação aos PALOP’s?
Muito bem. No passado dia 19, esteve aqui uma delegação da Câmara de Lembá (S. Tomé e Príncipe) que veio propor a celebração de um protocolo para recebermos alunos daquela zona.
A Escola cresceu quando a Câmara Municipal de Anadia se envolveu com empenho. Não teríamos hipótese de crescer sustentadamente se a Câmara não nos tivesse cedido as instalações das antigas Escolas Primárias de Anadia. Isto veio dar-nos uma coesão maior e uma possibilidade de melhor gestão. A entrega daquele espaço foi excelente para nós. Mas vai ser um fator de enriquecimento para a própria cidade. O projeto que temos para o antigo refeitório/cozinha, com a criação de cozinha pedagógica, vai ser muito interessante. Por outro lado, no próximo ano, temos a intenção de abrir aquele espaço à própria comunidade, não na perspetiva de fazer concorrência comercial, mas de ter um espaço onde os alunos possam praticar no dia-a-dia a cozinha e serviço e ter ali um espaço/recreio onde pensamos criar uma esplanada e dar mais vida ao centro da cidade. Estamos ainda a pensar em criar ali mini-cursos de formação de cozinha para amantes da cozinha, assim como organizar eventos e seminários dirigidos a chefes de restaurantes regionais, a partir de fevereiro de 2013.

Esta ligação aos PALOP’s é para continuar e fortalecer?
Será para fortalecer se houver ajudas. A Escola não tem possibilidade de financiar estes alunos e estes por si só também não têm possibilidade ou capacidade para se sustentarem cá. Ou se encontra uma forma de mecenato e colaboração entre instituições ou a própria Escola poderá ter parte da solução gerindo orçamentos que tem para outras rubricas para esta área. Mas a câmara municipal já mostrou alguma disponibilidade para ajudar caso esta ajuda mais formal falhe. Todos sairemos a lucrar se investirmos nestas parcerias. Não podemos virar as costas a estes países com os quais tivemos e temos tantas afinidades.

Catarina Cerca

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