Podem ser consideradas “mulheres de armas”, pois pegaram na ASAC (Associação Social de Avelãs de Caminho) numa altura em que esta atravessava algumas dificuldades económicas. Em meio ano, conseguiram já equilibrar as contas e levar a cabo algumas obras.
São três, as “lutadoras”: Leonilde Rasga (presidente), Isabel Duarte (vice-presidente) e Hermínia Cevada (secretária), que prometem não dar tréguas ao muito trabalho que há a fazer nesta IPSS.
Com 12 anos de vida, a ASAC vive, assim, uma situação completamente inédita, ao ter na liderança três mulheres que jamais se tinham envolvido em semelhante actividade.
Com meio ano de liderança, Leonilde Rasga faz um balanço bastante positivo do trabalho desenvolvido. Para já, fica a certeza de que a equipa que lidera integra ainda dois homens (Fernando Seabra, tesoureiro e Fernando Brandão, vogal), que dão uma precisa ajuda na gestão e funcionamento desta grande casa, onde trabalham 36 funcionários, que prestam o mais variado leque de serviços a 105 utentes.
“Tenho uma equipa trabalhadora, lutadora, ambiciosa e sempre presente”, diz Leonilde Rasga que, na liderança desta instituição, diz encontrar no seio familiar e nos amigos verdadeira motivação e força para proporcionar aos utentes, sobretudo idosos, a alegria, carinho e felicidade que necessitam nesta fase das suas vidas. “Faço pela associação o que posso e que não pude fazer pelos meus pais, que faleceram muito cedo”, acrescenta.
O desafio é grande e trabalhoso, até porque a primeira grande batalha – já ganha – tinha em vista equilibrar as finanças da associação: “Neste momento, está tudo regularizado, nomeadamente as dívidas aos fornecedores”. Contudo, todos os meses a direcção tem a árdua tarefa de manter o pagamento das mensalidades referentes ao mini-autocarro adquirido ainda pela anterior direcção. Uma situação que se irá prolongar até Abril de 2013 e que traz algumas dores de cabeça, já que a verba mensal atinge quase um milhar de euros.

Obras urgentes. Com lotação esgotada, sobretudo ao nível da Terceira Idade (Lar) e com obras de beneficiação em todo o imóvel por fazer, a direcção conseguiu para já – com ajuda do sócio fundador, Joaquim Neves e da Junta de Freguesia – substituir o pavimento do refeitório e proceder à pintura daquele mesmo espaço.
“Precisamos com urgência de intervir no edifício ao nível do interior e exterior, devido às infiltrações, rachadelas e humidades. Por isso, a anterior direcção efectuou uma candidatura cuja aprovação aguardamos”, revela Leonilde Rasga, reconhecendo que “só com apoio do Estado e da autarquia será possível realizar este melhoramento, que atinge os 100 mil euros”.
“Sem ajudas, não temos condições para avançar com uma reparação desta envergadura”, garante.

Apoios e donativos. Ciente de que as comparticipações da Segurança Social e as mensalidades pagas pelos utentes são insuficientes para fazer face ao volume de despesas, diz que só com uma gestão cuidadosa e muita ginástica financeira é possível conseguir o necessário equilíbrio financeiro.
“Trabalhamos muito e pedimos a colaboração e apoio a pessoas amigas”, avança, destacando a ajuda que chega da comunidade portuguesa emigrada no Luxemburgo.
“Pedimos ajuda à Associação Cultural da Bairrada no Luxemburgo (ACBL) para a aquisição de atoalhados de mesa e roupa de cama, que estavam já em muito mau estado. O nosso apelo foi atendido e o senhor Rogério Oliveira veio ontem [no dia 11], entregar roupa (lençóis, almofadas e colchas) para 35 camas e atoalhados para 20 mesas, assim como dois cadeirões e dois bancos de banho”.
Emocionada com o gesto solidário, diz que são estas acções que motivam a direcção a fazer sempre mais e melhor.

Catarina Cerca