Na próxima segunda-feira, dia 20 de Dezembro, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia (AHBVA) celebra 77 anos de vida.
Este ano, a festa será simples e a data assinalada apenas com as cerimónias indispensáveis, revela Mário Teixeira, presidente da direcção da AHBVA.
“Não teremos sessão solene. As promoções e condecorações terão lugar no final da missa”, diz, confessando que os tempos não estão para festas e que, por isso, o aniversário é o reflexo da situação de crise e de dificuldades que o país atravessa.
Embora faça um balanço positivo do ano, Mário Teixeira reconhece que a corporação, que integra cerca de 110 elementos, atravessa momentos de contenção e de grande rigor orçamental, por força da crise profunda em que o país mergulhou. Mesmo assim, diz que a saúde financeira da AHBVA Anadia é estável, graças a um esforço muito grande realizado na contenção de despesas: “só adquirimos o indispensável porque temos muitas despesas, todavia acredito que vêm aí tempos mais difíceis”.
Daí que não deixe de apelar aos sócios da Associação, com quotas em atraso, para que regularizem as mesmas. “Temos cerca de 20 mil euros em quotas em atraso. Não é uma verba muito elevada mas, para nós, faz toda a diferença, já que, com esse dinheiro, poderíamos fazer algo mais”, reconhece, lamentando também que, cada vez seja mais difícil, também aos particulares, cumprirem os pagamentos dos serviços (nomeadamente deslocações na área da Saúde). “Por exemplo, uma deslocação dos HUC para Anadia custa cerca de 31 euros e, para muitas pessoas, é difícil pagar esse montante”, reconhece Mário Teixeira, perspectivando um futuro de maior contenção e dificuldade. “Estou muito apreensivo, porque a crise se vai agravar e é provável que as pessoas venham a sentir mais dificuldades em pagar os serviços, assim como as entidades oficiais também acabarão por fazer uma selecção mais criteriosa no número de doentes a transportar pelos bombeiros”.

Estado tarda a pagar. Depois da ARS (Administração Regional de Saúde) Centro ter atrasado largos meses o pagamento dos serviços de transporte prestados pelos bombeiros, o presidente da corporação anadiense reconhece que a situação está “normalizada” e que o atraso é de apenas quatro meses: “num total de 80 mil euros”, assim como o INEM deve, em matéria de prémios de saída, três mil euros referentes a meio ano.
“Temos, por parte do Ministério da Saúde, a promessa de que irão começar a disponibilizar o dinheiro a 90 dias”, diz Mário Teixeira, confessando que é inevitável ter de fazer uma gestão muito cuidada.
A JB revela ainda alguma apreensão em relação ao serviço de gestão integrada de transporte de doentes, criado pela ARS Centro e que está a ser implementado no distrito de Aveiro. “Não sei como irá funcionar este sistema, mas como é uma situação nova, temo que venha a penalizar os bombeiros, embora se diga que os bombeiros vão ser preferencialmente utilizados”, destacando que, a não ser assim, este novo modelo implicará, certamente, desemprego, nomeadamente para os bombeiros-trabalhadores, já que podem ficar em causa muitos postos de trabalho.
“Pagamos aproximadamente 19 mil euros em ordenados e, por isso, temos de fazer uma engenharia financeira grande para responder a todas as despesas com que nos debatemos ”, diz, sublinhando ainda que a corporação gasta mensalmente, em combustíveis, cerca de 10 mil euros, para além do elevado desgaste registado nas viaturas. Por isso, não deixa de lamentar que também o parque de viaturas esteja a precisar de renovação, algo que terá de ficar pendente já que, dada a situação actual, “é impensável investir nesta área”.

Novo quartel. Quanto ao novo quartel, diz continuar a não passar de um sonho de difícil concretização. Por um lado, a AHBVA vê-se confrontada com uma legislação que a impede de recorrer a uma candidatura ao QREN (a Associação foi contemplada para a construção do actual quartel há menos de 41 anos), por outro, está a braços com um equipamento completamente desajustado da realidade, encravado no coração da cidade. Acrescente-se ainda que, desde o passado dia 2, entrou em funcionamento uma Equipa de Intervenção Permanente (EIP) composta por cinco bombeiros que, durante 8h por dia e sete dias por semana, estão disponíveis para qualquer eventualidade. Esta equipa, constituída através de protocolo, é suportada pela Câmara de Anadia e pela Autoridade Nacional de Protecção Civil.