Destinado a Educadores de Infância do Agrupamento de Escolas de Anadia, teve lugar, na última quinta-feira, dia 31 de maio, no auditório da Biblioteca Municipal, uma ação de sensibilização sobre saúde oral na infância.
Silvana Marques e Francisco Baptista, enfermeiros da Unidade de Cuidados na Comunidade Anadia, Fernanda Pinto, responsável pela Saúde Escolar do ACES Baixo Vouga I e José Relvas, higienista oral da ARS Centro revelaram aos vários educadores presentes que é intenção da OMS (Organização Mundial de Saúde), até ao ano de 2020, conseguir com que 80% das crianças com 6 anos estejam livres de cáries. Um projeto ambicioso e para o qual muito é preciso fazer, sobretudo ao nível de mudanças de hábitos, logo a partir de casa. Isto porque, no mundo, 60 a 90% das crianças em idade escolar e 100% dos adultos têm cáries. “Uma situação que pode ser invertida”, disse José Relvas. Daí que esteja em curso, no país, o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, promovido pelo Ministério Saúde e visa a promoção da saúde e na prevenção primária e secundária da cárie dentária, principal problema nas crianças em idade escolar.
Criação de hábitos. Relativamente à infância foram focados aspetos como a administração de flúor, a aplicação de selantes de fissuras, a higiene oral e a educação alimentar e ainda a utilização do cheque dentista.
Assim, dos 3 aos 6 anos, a escovagem dos dentes, duas vezes ao dia, sendo uma delas antes do deitar, é indispensável. Uma rotina que é preciso incutir nas famílias. Para as crianças com mais idade, foi também referido que para além da educação alimentar (menos sal, menos doces), do reforço da higiene oral, com o início da utilização de fio dental, e o bochecho fluoretado, são “armas” poderosas contra o aparecimento de cáries. Por isso, aos educadores foi solicitada colaboração para localmente sensibilizarem crianças e famílias para a implementação de hábitos saudáveis. O objetivo, avançou a enfermeira Silvana Marques, é conseguir que, no próximo ano de 2013, cerca de 50% das pré-escolas do concelho promovam a escovagem de dentes.
Um hábito pouco implementado devido às condições físicas, muitas vezes, limitadas de muitas das escolas, mas sobretudo à pouca abertura de educadores e pais para esta necessária mudança de mentalidade que é preciso implementar, a bem da saúde oral dos mais pequenos. E se é um facto que muitas escolas não reúnem as condições ideais para que as crianças lavem os dentes após o almoço, a verdade é que, com um pouco de paciência e engenho, é possível implementar, ainda que a questão da supervisão e vigilância de tantas crianças seja a maior condicionante.
Na ocasião, Rosa Tomás, vereadora da Educação, não deixou de sublinhar a necessidade de mudar mentalidades, sobretudo dos pais para que, em casa, incentivem e incutam nos filhos hábitos da higiene e de escovagem de dentes “numa atitude preventiva” por forma a que os problemas não apareçam.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt