É em dias como os que se viveram a 8 e 9 de novembro de 2012 que o orgulho em sermos bairradinos se empolga desmesuradamente. Os 125 anos de História da Estação Vitivinícola da Bairrada (EVB), o seu papel no desenvolvimento de atividades ligadas à aprendizagem e à experimentação, nomeadamente na área vinícola, os marcos que deixou mas que perduram no presente e se projetam no futuro, ficaram bem patentes nestes dias de exaltação de uma instituição de referência na região.
Durante dois dias, ouviram-se palavras elogiosas sobre o valor da EVB, discutiram-se questões sobre a Bairrada e os seus vinhos em importantes jornadas técnicas, apresentou-se um novo espumante e um novo vinho, inauguraram-se exposições, brindou-se à Bairrada.
O auditório da EVB foi exíguo para acolher diretores e ex-diretores, colaboradores atuais e antigos, entidades oficiais, convidados, numa sessão de abertura presidida pelo secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Daniel Campelo, que enalteceu o papel da agricultura e em especial dos vinhos na atual crise, desejando que a EVB “tenha longa vida” e mantenha o seu papel de apoio à investigação e aos produtores.

Cooperação e promoção. O papel do enoturismo ficou frisado nas palavras do presidente do Turismo Centro de Portugal, em diversas ocasiões. Minutos antes da inauguração de várias exposições em simultâneo no Museu do Vinho Bairrada – uma delas em parceria com uma entidade espanhola – Pedro Machado destacou “dois eixos que ficam aqui bem patentes: a cooperação e a promoção, e aqui a Rota da Bairrada tem tido um papel fundamental, com o seu projeto United Colors of Bairrada”. “É importante trazermos mais turistas à região, em particular espanhóis, mas também atrair novos mercados. Para isso, é preciso promover bem e, depois de cá estarem, é importante permanecerem, com atrações como exposições, novos vinhos, etc.”
No Museu do Vinho, vale a pena visitar as exposições patentes, começando pela dos 125 Rótulos Bairrada, “que representa o passado, o marketing e a imagem dos vinhos Bairrada”, explicou o vereador da Câmara Municipal de Anadia responsável pelo Museu, Jorge Sampaio. “Queremos continuar com este trabalho de documentação, catalogação e digitalização deste espólio importantíssimo e, para isso, é essencial continuarmos a contar com a colaboração da EVB.”
Agradeceu aos colaboradores da Câmara Municipal que trabalharam para a concretização destas exposições, em particular a Carlos Neves, que fotografou os 250 rostos da Bairrada e da EVB.
Agradeceu a João Venâncio Marques, um apaixonado pela sua terra, “pela dedicação que teve a este Museu e pela ajuda que deu nas exposições”.
Lembrou quem partiu recentemente, Luiz Costa e Fructuoso de Almeida e Silva, “que tanto amaram e projetaram a sua Bairrada”.
Quanto às exposições, em especial a parceria com o Museu de la Cultura del Vino (La Rioja, Espanha), salientou tratar-se “de uma parceria que andamos a namorar há um ano e que hoje deu o primeiro passo”. Agradeceu ainda ao escultor Candido Pazos, “que nos presentou inclusive com uma surpresa, a primeira apresentação pública de uma escultura sua”.
O secretário de estado Daniel Campelo salientou “a importância dos museus e do Museu do Vinho em particular para potenciar a cultura do vinho”. E fez um voto a todos os presentes, para que “celebrem o natal e o ano novo com produtores portugueses de grande qualidade, que este ano já receberam 2600 prémios em concursos internacionais”.
“Portugal é um país de vinho e de vinho de grande qualidade.” Que a Bairrada continue a pertencer a este leque de referência, é o nosso desejo.
Oriana Pataco