Aquele que será o último orçamento do executivo em exercício (2013 é ano de eleições autárquicas) foi aprovado, por maioria, na última Assembleia Municipal de Anadia, realizada no passado dia 20 de dezembro.
Com os votos contra dos dois deputados do CDS/PP, a abstenção da bancada do PS (6) e do autarca César Andrade, de Avelãs de Caminho e os votos a favor (26) da bancada Social Democrata e do deputado da CDU, João Morais, o orçamento para o ano de 2013, de 31 milhões e 625 mil euros, acabaria por ser aprovado sem grande celeuma.
Ainda que ligeiramente inferior ao de 2012, que atingia os 32 milhões de euros, o orçamento da Câmara Municipal para o próximo ano não mereceu tantas críticas por parte da oposição como os orçamentos dos anos anteriores.
Na apresentação do ponto, o autarca Litério Marques reconheceu ser um orçamento ligeiramente inferior ao de 2012, mas “muito próximo da realidade”, até porque estando este executivo em final de mandato, foi seu entendimento “não deixar para o executivo que venha algo que possa trazer problemas de ordem financeira”.
“Trata-se de um orçamento que vai ser aprovado porque é o melhor que a Câmara pôde organizar”, acrescentou.
Tal como JB oportunamente deu a conhecer, o orçamento para 2013, em matéria de Grandes Opções do Plano, contempla para o próximo ano, áreas que sempre foram defendidas pelos socialistas. São os casos do Desporto, Recreio e Lazer (9%); Cultura (3%); Proteção ao Meio Ambiente (1%) e Resíduos Sólidos (2%). Mas é ao Saneamento (29%) que ainda cabe a maior fatia do orçamento, seguindo-se os Transportes Rodoviários com (22%).

PS absteve-se. Na ocasião, Cardoso Leal, líder da bancada socialista, sublinharia que, embora verifique que há rubricas que se salientam (Saneamento, Transportes Rodoviários, Cultura, Abastecimento de Água, Proteção Civil e Ambiente), com alguma aproximação às prioridades sempre elencadas pelo PS, destacaria não ser este o programa socialista, mas que mesmo assim a sua bancada não se oporia ao mesmo. “Vamos abster-nos”, referiu isto porque os socialistas têm alguma reserva quanto à taxa de execução deste orçamento, já que nos últimos anos essa mesma taxa ficou abaixo dos 50%.
“Tratando-se do último orçamento deste ciclo de quatro anos, espero que os que venham a seguir consigam apreciar a boa execução do orçamento de 2013, pois só assim contribui para a melhor qualidade de vida dos cidadãos de Anadia”, disse Cardoso Leal.
Mais crítico, João Tiago Castelo Branco, do CDS/PP, apontou baterias não ao orçamento, não ao executivo, mas ao sentido de voto da bancada socialista: “dão uma no cravo e outra na ferradura e depois não tomam posição nenhuma”, diria, acrescentando que ao contrário do PS nacional “aqui, a nível municipal, tomam uma posição que nem é carne, nem é peixe. Ou somos a favor ou somos contra. Não há meio termo”, referiu concluindo que se os socialistas suspeitam que este orçamento de 2013 corre riscos de não ser executado, “deveriam votar contra e não absterem-se”.
O deputado centrista e líder da bancada, teceu ainda duras críticas à dotação de rubricas que considera importantes como o Apoio a Freguesias (100 mil euros), ou o apoio às IPSS’s ou ao Turismo, atividade que entende dever ter um apoio mais efetivo por parte do executivo, por criar riqueza e emprego no concelho que possui três tipos de águas termais (Banhos, Curia e Vale da Mó).
Por outro lado, repudiou o facto do executivo prever gastar 318 mil euros numa Pista de BMX, em Sangalhos, a construir junto ao Velódromo. “Tem noção do que diz e faz, presidente?”, comparando esta verba com outra de apenas 180 mil euros que a Câmara prevê gastar no apoio a todas as IPSS’s do concelho, no ano de 2013.
Quem não gostou da intervenção de Tiago Castelo Branco foi a bancada socialista, que se mostrou surpreendida com o facto do deputado ter atacado o sentido de voto do PS e não ter feito uma crítica mais dura à proposta da Câmara Municipal para o Orçamento de 2013.
Sobre o orçamento, o deputado da CDU, João Morais mostrou-se agradado com o mesmo e pelo facto de prever a consolidação e conclusão de obras do orçamento anterior. “É um orçamento ambicioso. Espero que o cumpra”, diria ainda.
Levantada a questão do custo da Pista de BMX, Litério Marques explicou à assembleia que a Pista será tão útil como o Velódromo que, nas próximas semanas, vai encher todos os hotéis da região. “A Pista de BMX será um complemento àquela estrutura que lá está”, diria, dando conta da muita procura e solicitação de um equipamento deste género por organismos desportivos. Por outro lado, fez saber que a Câmara Municipal, em termos de ação social, entregara, na véspera, 65 cabazes a famílias carenciadas do concelho (ver texto pág.14).

Catarina Cerca
catarina@jb.pt