O autarca Henrique Lameirinhas Rodrigues está de saída da Junta de Freguesia de Óis do Bairro. Este ano termina o seu quarto mandato, equivalente a 16 anos de vida autárquica.
A nove meses de novas eleições autárquicas, admite que sai “com uma grande mágoa e tristeza no coração”, por ser o último presidente de uma freguesia que será extinta. A agregação da freguesia de Óis do Bairro, às freguesias de Tamengos e Aguim, é inevitável e, por isso, sendo o último autarca em funções na freguesia, não deixa de lamentar esta decisão governamental que, a seu ver, nada traz de benéfico à população. “Sinto uma revolta muito grande e não entendo que benefícios esta alteração vai trazer. Não há redução de custos. A freguesia tem a população envelhecida. Sou eu, muitas vezes, quando vou a Anadia, que pago a água e a luz a muitos idosos e pessoas que me pedem. Depois, como será”, questiona. No entanto, reconhece que os habitantes da sua freguesia ainda “não caíram na real” e que “só vão sentir na pele, depois, quando tiverem de se deslocar à nova sede da freguesia para tratar dos seus assuntos”.
Por isso, acredita que estas eleições autárquicas poderão ser um desastre a nível nacional e atingir a maior abstenção de sempre. “Aquando da mexida, falou-se, a quente, de avançar com um boicote às eleições autárquicas de outubro. Agora, a frio, essa é uma possibilidade. Basta que alguém dê um empurrão”, admite.

Balanço positivo. De saída da Junta de Freguesia e da cena política ativa, faz destes 15 anos de vida autárquica um balanço positivo: “estou satisfeito, embora nunca sejamos capazes de concretizar tudo o que queremos”, diz, lamentando que tenha assistido à perda de valências na freguesia: Escola Básica e Jardim de Infância. Todavia, reconhece como maior marca que deixa da sua liderança a abertura da estrada que liga o Barreiro à Mingoa, assim como o facto desta ter sido a primeira freguesia a ter saneamento básico, a seguir a Anadia.
“O que foi possível fazer com os parcos recursos que tínhamos, fizemos. Depois, a Junta de Freguesia não é só obras, mas também promover a proximidade entre as pessoas”. A JB confirmou que, ao longo de todos estes anos, se dedicou de corpo e alma à freguesia: “em 15 anos, a JF nunca me pagou um litro de gasóleo e muitas vezes é o meu trator pessoal que anda ao serviço da freguesia. Faço-o porque amo esta terra e a população da minha freguesia”, confessou.
Com um orçamento de 24.500 euros, diz que só uma gestão rigorosa possibilita que pequenas obras sejam feitas e se amealhe algum dinheiro: “é o que temos feito. Só gastamos até onde podemos. A verba que conseguimos juntar vai ajudar a suportar os custos com a recuperação da Capela de S.Sebastião, cujo orçamento mais baixo ronda os 15.500 euros”.
Em final de mandato, diz querer ainda levar a cabo alguns melhoramentos ao nível da rede viária, nomeadamente colocar tapete betuminoso no troço que liga a Mata a S. Lourenço do Bairro, assim como terminar as obras no edifício do Centro Cultural de Óis do Bairro.
Em ano de balanço, reconhece que, apesar das dificuldades, problemas e constrangimentos sentidos, que se misturam com algum desalento, “o debate de ideias foi sempre muito positivo”, assim como aprendeu (e recomenda aos seus sucessores) que promovam, acima de tudo, “o diálogo e o consenso”.

Catarina Cerca
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