Leonildo Macedo, autarca de S. Lourenço do Bairro, a cumprir o terceiro e último mandato à frente dos destinos da freguesia, não se vai recandidatar nas próximas autárquicas de outubro, mas sai com a noção do dever cumprido.
“Não me recandidato. Termino um ciclo de 12 anos à frente da Junta de Freguesia”, explica, dando conta de que já terá dado a sua quota parte à freguesia. Agora, avança, “é tempo de outros assumirem esta responsabilidade”.

Balanço positivo. Apesar disto, faz um balanço muito positivo dos 12 anos na autarquia, embora reconheça que, com um orçamento de 75 mil euros para gerir uma freguesia com 12 povoações, “não dá para fazer quase nada”.
“Este é um ano de eleições e de mudança. Por isso, as despesas têm que ser muito controladas para, no final do mesmo, não apresentar dívidas”, acrescentou, admitindo que este será “um ano muito difícil em termos económicos e sociais para o país e para a região”, traçando, a nível autárquico, um cenário igualmente pouco animador, estando certo que, devido à reorganização administrativa territorial das freguesias, nestas eleições autárquicas haverá um grande boicote, a nível nacional.
Leonildo Macedo acredita que esta é a única forma clara e inequívoca das pessoas e freguesias se poderem manifestar e fazer ouvir contra as reformas implementadas pelo governo. “Ainda estou para ver para que serve esta reorganização administrativa. Que vantagens vai trazer”.
Ano de contenção e rigor. Para a Junta de Freguesia de S. Lourenço do Bairro, este será um ano semelhante ao anterior e obras de maior vulto só serão possíveis com o apoio da Câmara Municipal, que “tem estado sempre do nosso lado”. Contudo, diz, “este será um ano de muita contenção e rigor”. Por isso, “obras a iniciar, só serão feitas se tiver garantias de que as conseguimos concluir”.
Reconhecendo não ter realizado todas as obras que gostava de deixar à população, diz que tal não aconteceu pelo facto das verbas disponíveis serem sempre insuficientes face às necessidades. Por isso, lamenta não ter conseguido apostar mais em áreas como o recreio e lazer, nomeadamente terminar os parques de merendas começados em Espairo, no espaço da Refer, e em Couvelha, junto à rotunda.
Nestes 12 anos, diz que a instalação da Junta de Freguesia em nova sede e a construção do relvado sintético (a Junta de Freguesia ainda está a pagar a sua parte na obra) do Couvelha, são as marcas maiores que conseguiu deixar à população, sem esquecer os melhoramentos realizados em Espairo.

Pequenas obras. “Tentei fazer com que a população acreditasse nas pessoas que estavam à frente da Junta de Freguesia e dar-lhes, sempre que solicitado, o apoio em tudo o que nos foi possível, numa boa relação com o povo”.
Para este ano não se perspetivam obras de monta, contudo já foi adjudicada a recuperação das coberturas de dois lavadouros e fontanários, localizados em S. Lourenço do Bairro e em S. Lourencinho. Ambas as coberturas, há muito degradadas, precisavam de ser substituídas, pelo que a Junta de Freguesia vai investir cinco mil euros na sua recuperação.
A obra deverá ficar concluída neste primeiro trimestre e Leonildo Macedo avança que se trata de dois equipamentos que estão a ser cada vez mais usados pelas populações, já que, devido a algumas dificuldades económicas, “são uma forma de poupar água e eletricidade”. Para além da cobertura, serão recuperados e pintados os muros, estando os tanques ainda em bom estado, abastecidos por nascente, durante todo o ano.
Em perspetiva está também a recuperação de caminhos agrícolas com tout venant e saibro. Caminhos muito utilizados e danificados e que precisam urgentemente de ser recuperados.
Durante este ano, quer ainda avançar com pequenos arranjos nas várias localidades e ajudar as coletividades da freguesia. “Se houver lucro, se a verba chegar gostava de melhorar a sinalização (informativa) das localidades”.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt