O protocolo de colaboração entre a CIRA – Comunidade Intermunicipal do Baixo Vouga /Região de Aveiro, o Porto Canal e o Canal Central dividiu o executivo anadiense na última reunião de Câmara, realizada na quarta-feira, dia 27 de fevereiro.
A informação trazida para a reunião de Câmara dava conta de que a CIRA estabeleceu um protocolo de colaboração de um ano com aqueles canais televisivos.
Um protocolo que custará mais de 60 mil euros, sendo que a CIRA assumirá apenas 25% dos custos, enquanto que os restantes 75% serão assumidos, em partes iguais, por cada um dos 11 municípios associados da CIRA, num valor de 5 mil euros/ano cada.

Protocolo pouco ambicioso e sem benefícios para o concelho. O protocolo, que teve início a 1 de março e decorrerá até fevereiro de 2014, foi assinado no stand da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal e da CIRA, na Bolsa de Turismo de Lisboa, na passada quinta-feira, dia 28.
Contudo, na véspera, durante a reunião do executivo anadiense, o edil Litério Marques mostrou-se algo crítico em relação a este protocolo, que considerou “insuficiente”, admitindo ainda que no mesmo não identifica qualquer “alcance”, ou que “dele resulte benefício para o concelho de Anadia”. Por isso, diz que o vê como “mais uma quota a pagar à CIRA”.
Aos restantes membros do executivo, Litério Marques sublinhou a necessidade de dar um parecer favorável a este protocolo “para não estar a criar qualquer tipo de rutura” e por “uma questão de solidariedade institucional”. Embora tenha falado que o valor a suportar pelo município é irrisório, Litério Marques referiu que o protocolo é “pouco ambicioso”.

Vereadores do PS contra. Para o vereador Lino Pintado, do PS, a proposta, para além de pouco ambiciosa, não trará qualquer retorno ao município anadiense, assim como não se revê na solidariedade institucional defendida por Litério Marques.
A seu ver, essa solidariedade “não pode servir de argumento para se apoiar um projeto com o qual não se concorda”, até porque, como admitiu, “todos sabemos que deste projeto não resultará qualquer retorno visível e benéfico para o município”.
De igual forma, o vereador socialista, José Carlos Coelho, diria que a “Câmara anadiense não tem tido contrapartidas com a CIRA” e que é seu entendimento que “os compromissos já assumidos pela Câmara para com a CIRA são mais do que suficientes”.
“Não se justifica também este apoio, até porque se trata de canais restritos, por cabo e pagos, logo, não acessíveis a todos”, salientou. Lino Pintado acrescentaria ainda que “entre o deve e o haver, a Câmara tem muito a haver e não a dever à CIRA. Por isso, não deveria embarcar neste projeto”.
Com os votos contra por parte dos vereadores socialistas, a proposta de colaboração entre a CIRA, o Porto Canal e Canal Central seria aprovado, por maioria, com os votos favoráveis dos vereadores social democratas.

O que diz o Protocolo. O protocolo visa a cobertura de divulgação noticiosa nos meios de comunicação social audiovisuais dos eventos e ações levadas a cabo pelos municípios e pela CIRA e de produção de conteúdos de informação sobre eventos para divulgação múltipla e arquivo. Ou seja, “divulgar e dar a conhecer a atualidade da Região de Aveiro, ao nível da informação, economia, património, cultura, educação, eventos, com apresentação diária em programas de grande audiência, numa lógica devidamente planificada e concertada”.
De acordo com a CIRA, “estão em curso nos municípios associados diversos empreendimentos nas áreas do empreendedorismo, investigação e desenvolvimento, acolhimento empresarial, cultural, ação social, entre outras, visando a promoção de emprego, a geração de riqueza e a elevação da competitividade territorial, sendo esta componente de promoção e de divulgação de capital importância.”
Assim, o Porto Canal fará duas reportagens por mês e por município, num total de 22 reportagens mensais, sobre a atualidade informativa e sobre temas de interesse para a região, bem como realizará reportagens pontuais a definir.
Catarina Cerca
catarina@jb.pt