O salão nobre da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia foi pequeno para acolher tão elevado número de dirigentes ligados aos Bombeiros e Proteção Civil do distrito de Aveiro, vereadores, deputados municipais, autarcas, familiares e amigos que, na tarde do último sábado, dia 31 de maio, assistiram à cerimónia da tomada de posse de Ana Margarida Matias, no cargo de comandante dos Bombeiros Voluntários de Anadia.

Qualidades e alertas. Mário Teixeira, presidente da direção da AHBVA, fez a caracterização da nova comandante, a quem reconhece “qualidades que garantem uma transição pacífica e harmoniosa”, todavia consciente das “dificuldades, arrelias e dissabores” que o cargo acarreta, mas que Ana Matias saberá enfrentar e responder, já que é “uma jovem dotada de forte personalidade, coração bondoso, capaz de estimular, animar, incentivar e ajudar os seus bombeiros”. Contudo, Mário Teixeira sabe que a comandante “jamais terá tréguas na sua vida profissional e pessoal” que irão sofrer uma “mudança radical”, mas congratula-se que, após oito décadas de história, a corporação tenha agora uma mulher no comando.
Em dia de festa, o presidente da direção não deixou de alertar para algumas preocupações relacionadas com dificuldades e carências de natureza material: ao nível das instalações que faltam ou necessitam de arranjo, viaturas, fardamentos, equipamentos de proteção individual, entre outros. A terminar, pediria ao corpo de bombeiros “postura, dedicação, disponibilidade”, mas também aos adjuntos de comando, chefes e subchefes “disponibilidade e que coadjuvem a comandante com todo o empenho, lealdade, honestidade, dedicação e, acima de tudo, com transparência de atitude”.

Cargo em memória dos que já partiram. Há 13 anos na corporação, Ana Matias falou com as emoções à flor da pele. Por mais do que uma vez, as lágrimas e o nervosismo falaram mais alto, não só por assumir um dos papéis mais importantes da sua vida, mas porque dedicou o cargo à memória do Professor Jorge Lourenço, do ISE Coimbra, “que formou muito mais do que engenheiros”, mas especialmente à sua mãe, “de quem herdei este espírito e que me formou enquanto pessoa”.
Nos bombeiros, diz ter já aprendido que “o correr cansa, o acordar custa, o que carrega pesa, e o que enerva desgasta”, perfeitamente consciente de que o cargo exige tanto de racional como de emocional. Aos presentes, revelou que aceitou o cargo, “não movida por qualquer interesse ou pretensão futura”, mas por “puro altruísmo”, ciente de que “conjugar a emoção e a resistência, o amor por nós próprios e o amor pelo próximo, é talvez a missão mais difícil que me espera. Não pelo trabalho que a possa envolver, mas pela proximidade do sucesso e do fracasso”.
Aos parceiros da corporação presentes, apelou a um efetivo apoio “para que possamos crescer”, enquanto que aos bombeiros da sua corporação pede apenas “que acreditem em mim como eu acredito em vocês.”

Desafios e conselhos. Na ocasião, também a edil anadiense Teresa Cardoso diria que o cargo, agora assumido por Ana Matias, será “um dos grandes desafios e também uma grande missão a juntar ao seu percurso de vida e à sua carreira profissional”. Por outro lado, não deixou de se congratular por “a nossa sociedade se manifestar sem discriminação, na assunção de cargos públicos ou de relevo, também por pessoas de diferentes géneros, prevalecendo a escolha no reconhecimento da competência, do profissionalismo, da responsabilidade, da disciplina ou do rigor nos compromissos que se assumem”, deixando ainda dois conselhos: “cabe-lhe a si incentivar e estimular estes operacionais que a saberão entender e responder com eficácia, empenho e dignidade” mas também “dosear o respeito, a disciplina e o rigor, que se exige a este corpo de bombeiros”.
Convicta de que o excelente relacionamento entre a Câmara Municipal e os Bombeiros vai continuar, avançou “pugnar pelo aprofundamento da cooperação com a corporação”, até porque, como é sabido, a Câmara Municipal continua a fazer um esforço para manter o apoio à corporação, garantindo a manutenção de alguma comparticipação financeira que permita assegurar o vencimento de alguns bombeiros, de seguros e ainda a permanência de um grupo de primeira intervenção.
Catarina Cerca