O cemitério da freguesia de Fermentelos não tem espaço para novas campas. O último lugar foi alienado há cerca de três meses e neste período os defuntos da freguesia foram sepultados em jazigos ou campas de família. Sem grandes soluções à vista, o assunto preocupa habitantes e autarcas e opiniões não faltam quanto ao futuro daquele espaço, desde a construção de um novo cemitério ou o difícil alargamento do atual. O novo executivo da Junta herdou o problema e está a pressionar a Câmara para desbloquear a situação, que pode ganhar um novo fôlego com a requalificação do Arraial de Nossa Senhora da Saúde, cujas obras poderão criar 40 novas sepulturas.
O presidente da Junta de Fermentelos, Carlos Lemos, diz que o assunto “é muito preocupante”, confirmando a indisponibilidade de espaços no cemitério. “O problema não é de agora, não é de hoje”, por isso “lamento que o anterior executivo tenha deixado chegar a situação a este ponto sem ter procurado uma solução para este problema”, apontou.
Carlos Lemos assegura, no entanto, que está a trabalhar com a Câmara de Águeda para, no imediato, avançar com o alargamento, para depois se analisar uma “solução definitiva” que pode passar pela construção de um novo cemitério.
Aquela ideia já vem de há alguns anos, refere o autarca, quando o Executivo da Junta adquiriu naquela altura um terreno na zona do Pano. No entanto, depois de vários estudos, chegou-se à conclusão que tal terreno não servia para a construção de um novo cemitério. “Temos aquele terreno limpo, mas não podemos fazer mais nada com ele”, acusa Carlos Lemos.
Para uma solução imediata, o atual cemitério de Fermentelos poderá ganhar 40 novas campas com o alargamento previsto nas obras de requalificação do Arraial de Nossa Senhora da Saúde.

População quer novo cemitério

Este assunto vai monopolizando as conversas de rua e nos espaços comerciais da freguesia. O JB esteve por lá e ouviu alguns fermentelenses, curiosamente alguém que terá conseguido adquirir o último espaço livre deste cemitério, há cerca de três meses. Maria de Lurdes Seabra confirma que a última campa vendida foi para a sua avó. “Foi a última disponível. Os enterros que têm acontecido, pelo que sei, são em campas ou jazigos de familiares. Isto é uma preocupação de todos, não sei o que se está a fazer para resolver o problema”.
Para esta habitante de Fermentelos, “há tanta gente nesta freguesia, deviam pensar em fazer um cemitério novo noutro sítio. Há muitas freguesias que têm dois cemitérios, esta é grande, tem muita gente”.
Outra opinião, a de António Faria, o problema é que “há famílias com duas ou mais sepulturas. Isso devia ser controlado”, pois “se as compraram é porque alguém os deixou fazer isso”.
Nas soluções para o problema aparece-nos uma ideia diferente, a de Anabela Rodrigues, a defender que “se se cremassem os defuntos, ajudaria a resolver este problema. Era uma boa solução em todos os aspetos, até no espaço”, disse, concluindo que “a nova equipa da Junta está lá há pouco mais de um mês e ainda não teve tempo para resolver este problema, ficou foi com o menino nos braços. Não teve tempo ainda para fazer nada”.
Alcino Nogueira, outro fermentelense questionado sobre o assunto, diz que o alargamento previsto “não é solução” e justifica que , “daqui a pouco tempo voltamos ao mesmo”. Alcino lembrou a tão falada aquisição de um terreno, “parece-me que foi ainda no tempo do antigo presidente Amílcar Saraiva, na zona do Pano, que não está conforme, tem muita água. A Universidade de Aveiro fez lá estudos e concluiu que não se podia construir nada”.
Até que se concretize alguma solução, se entretanto morrer alguém em Fermentelos e que não tenha jazigo ou campa de família, terá que ser enterrado noutro cemitério do concelho, lembra Carlos Lemos.

Câmara defende novo cemitério

Questionado sobre a questão do cemitério de Fermentelos, o presidente da Câmara de Águeda, Jorge Almeida, defende a construção de um novo campo-santo na freguesia. “já falei com o senhor presidente da Junta e já lhe transmiti que é importante a Junta encontrar uma localização para o novo cemitério, claramente com a nossa ajuda”, pois “a Câmara está disponível e disposta a encontrar uma solução para ajudar a Junta nesta situação e não acredito que não haja em Fermentelos uma ou duas zonas onde se possa instalar um novo cemitério”, destacou Jorge Almeida.
Defendendo a criação de “uma solução mais duradoura” para o problema e esquecendo o terreno anteriormente adquirido “porque não está conforme”, o presidente da Câmara de Águeda lembra que a solução de alargamento do atual cemitério “é impossível”, para além daquilo que está estabelecido nas obras previstas para o Arraial de Nossa Senhora da Saúde.
Confirmando que aquela obra, de cerca de 600 mil euros (mais IVA), pode vir para o terreno logo que passe os piores meses de inverno, Jorge Almeida frisa que poderão criar cerca de 35-40 novas campas, mas “isso não é solução e logo estaremos na mesma quanto ao espaço”.
As obras que darão novo rosto àquela zona de Fermentelos, para além do alargamento do cemitério, permitirão a recuperação das vias que circundam o espaço, a requalificação do largo e respetivas infraestruturas.
O projeto prevê que seja retirado o auditório que ali se encontra “mas se os fementelenses não quiserem, continuará lá, mas parece-me que não seja uma mais valia, sendo uma obra pouco funcional e feia em termos arquitetónicos”, lembra o autarca.

João Paulo Teles
joao.p.teles@jb.pt