O escultor Carlos de Oliveira Correia está nas bocas do mundo, depois da escultura onde recria o golo mais bonito da carreira de Cristiano Ronaldo ter sido apresentada, num hotel algarvio.

O artista, de 64 anos, tem raízes no concelho de Oliveira do Bairro e aceitou o desafio da Junta de Freguesia para retratar a Cegonha, que já se tornou um símbolo local. A obra já está em Oliveira do Bairro e aguarda decisão da Câmara Municipal quanto ao local de instalação.

Jornal da Bairrada: A sua escultura do célebre pontapé de bicicleta do Cristiano Ronaldo, que gerou aquele que pode vir a ser considerado o seu golo de mais belo efeito, que foi inaugurada no hotel do Algarve onde a Seleção nacional estagiou há dias, é a sua obra mais recente e quiçá mais mediática. Pode contar-nos um pouco da história deste trabalho?
Carlos de Oliveira Correia: Sim, é a mais recente e provavelmente a mais mediática. A ideia surge durante um almoço entre amigos que contava com a presença de um antigo dirigente da Federação Portuguesa de Futebol, onde me foi lançado o desafio de fazer uma escultura alusiva à Seleção Nacional de Futebol. Como o Cristiano Ronaldo seria titular no jogo Portugal x Lituânia não foi difícil escolher o tema, e em uníssono resolvemos homenageá-lo com o seu melhor golo de sempre, um golo que ficou para a história marcado com aquele célebre pontapé de bicicleta contra a Juventus, quando jogava no Real Madrid.
Estávamos então a 5 de novembro e a Seleção Nacional chegava ao Algarve a 12 do mesmo mês, às 17h, ao Hotel Ria Park. Falei com os meus colaboradores no sentido de abraçar este projeto e uma equipa de quatro elementos, a trabalhar 16/18 horas por dia, conseguiu colocar a peça no interior do hotel às 16h do dia 5 de novembro, depois de alguns contratempos e imprevistos.

Tem assinado várias obras de relevo no Algarve… pode referenciar-nos algumas?
É aqui, no “monte” onde habito, que executei todas as obras, tais como: “Caçador”, em Alcoutim; “Lápis”, em Odeleite; “Cavaleiro da Ordem”, em Castro Marim; “Santo António”, em Vila Real de Santo António; “O Peixe, Amigo do Ambiente” e “Carrinho de Golfe”, em Tavira; “Hidrovião” e “Liberdade”, em São Brás de Alportel; “O Polvo”, em Quarteira; “Os Corticeiros”, em Silves; “O Livro”, em Celorico da Beira; “O Salineiro”, em Guérande, França, etc..

Tem raízes no Cercal, Oliveira do Bairro. Fale-nos um pouco sobre isso.
Sou natural de Angola, onde nasci em Huambo, em 1955. Fui para o Cercal com 6 anos, onde vivi por seis meses, tendo aí frequentado a primeira classe. Após esse período voltei para Angola, e só consegui regressar a Portugal, em 1975, com 20 anos.
Apesar do curto período em que fiquei em Oliveira do Bairro, recordo e guardo momentos muito felizes, onde deixei amigos com os quais ainda mantenho contacto, como por exemplo o Dr. Arlindo Vidal, Adélia, Zaida, Jorge Saimeiro, Orlando, Emília e o seu marido Reis, São, Helena Cardoso, entre outros.

Ainda tem familiares em Oliveira do Bairro?
Infelizmente, já não tenho familiares em Oliveira do Bairro, tenho em Aveiro um primo cujo pai, meu tio avô Francisco Ferreira da Cruz, foi Presidente do Município da cidade, tendo morrido em exercício das suas funções em 1967. Foi um assíduo colaborador do Jornal da Bairrada, sendo nessa altura o diretor deste jornal, o Dr. Granjeia.
A última vez que estive em Oliveira do Bairro foi no dia 15 de abril de 2004, no funeral da minha mãe.

Como surge o convite da Junta de Freguesia para fazer uma escultura para Oliveira do Bairro? E quem decidiu que fosse uma Cegonha e por quê?
Segundo o Presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Bairro, em exercício, o executivo manifestou-lhe que gostava de ver retratada uma cegonha, dado o projeto de valorização desta ave como elemento identificativo da freguesia, em conjugação com outros projetos já existentes, como “A Rota das Cegonhas”, obras de arte urbana, e agora mais recentemente um íman.

Onde gostaria que a sua obra ficasse instalada?
Trata-se de uma escultura com cerca de 7 metros de altura, o equivalente a um prédio de dois andares. A cegonha tem entre 3,5 e 4 metros de altura e a árvore, 2,5 metros.
Dada a sua dimensão, exclusividade e singularidade, gostava que ficasse num local nobre da cidade de Oliveira do Bairro.

(Entrevista completa na edição de 21 novembro 2019)